
A única certeza que temos na vida é a transitoriedade das coisas, e A estátua do prefeito, de Rogério Borges, captura essa ideia de forma visceral em suas páginas. Com uma narrativa que se desenrola de maneira surpreendente, o autor nos leva a um universo onde monumentos não são apenas pedras esculpidas, mas portais que conectam o passado ao presente, revelando os segredos mais profundos da sociedade.
Neste conto, a estátua do prefeito se torna o epicentro de uma série de reflexões profundas sobre poder, identidade e história. O que significa erigir um monumento em tempos de incerteza? Essa obra provoca sentimentos de reflexão e, ao mesmo tempo, provoca um leve temor sobre as memórias que escolhemos preservar. O autor não se esquiva de abordar a fragilidade das estruturas que sustentam nossa cultura e memória coletiva, e como essas estruturas podem ser desmanteladas em um piscar de olhos.
De forma audaciosa, Borges não apenas narra; ele tece uma crítica social mordaz. O leitor é confrontado com a pergunta: estamos prontos para desconstruir os ícones que veneramos? Há uma beleza perturbadora ao longo das páginas, onde a arte é tanto um reflexo do amor que temos por nossa história quanto um espelho do que podemos querer esquecer. Esse jogo de luz e sombra é ricamente explorado, levando o leitor a um estado de inquietação e contemplação.
Os comentários da crítica literária destacam a habilidade de Borges em evocar emoções intensas e reflexões profundas. Muitos leitores se sentiram tocados pela forma como a narrativa explora o simbolismo da estátua. Muitos a descrevem como uma obra que faz o coração disparar e a mente fervilhar. Contudo, não falta quem critique a proposta como algo excessivamente metafórica, desafiando os leitores menos atentos a se manterem em sintonia com a mensagem subjacente.
E, ainda assim, essa ambiguidade é um dos maiores trunfos do texto. O autor não oferece respostas fáceis. Ao contrário, ele apresenta um convite à ação: desenterre suas próprias verdades, questione as estátuas que você carrega dentro de si. E é isso que torna A estátua do prefeito uma obra imprescindível, uma leitura que deve ser vivenciada, não simplesmente lida.
Ao final, fica a sensação de que essa não é apenas uma história sobre uma estátua. É um chamado à reflexão, uma demanda quase urgente para que examinemos o que realmente valorizamos em nossa sociedade. A estátua do prefeito não é apenas um monumento de pedra; é um sinal de tudo que a cultura pode ser e, talvez, de tudo que ela precisa ser. Um grito silencioso questionando: quais são as estátuas que você decide erguer?
📖 A estátua do prefeito
✍ by Rogério Borges
🧾 24 páginas
2012
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