Arranhões e outras feridas
Cassionei Niches Petry
RESENHA

A vida é uma teia complexa de arranhões e cicatrizes, e Arranhões e outras feridas, de Cassionei Niches Petry, é um convite a mergulhar nas profundezas dessa crueza. Em suas 43 páginas, o autor não entrega apenas palavras, mas sim fragmentos de alma que ressoam e ecoam dentro de quem se dispõe a ler. É como se cada frase fosse uma untada em melancolia, contando histórias que provocam um turbilhão emocional, fazendo com que você se sinta tão íntimo da dor alheia, que as suas próprias feridas parecem reaparecer.
Com uma prosa que mescla a intensidade da experiência humana com a delicadeza do lirismo, Petry nos guia através de um labirinto de sentimentos. O texto traz um olhar penetrante sobre a vulnerabilidade, sobre aquelas feridas que, em vez de serem tratadas, muitas vezes se transformam em marcas permanentes. É como se o autor nos dissesse: "Aqui estão as verdades sujas que ninguém tem coragem de mostrar." E essa exposição é, ao mesmo tempo, dolorosa e libertadora.
Os leitores não podem deixar de ser impactados pelo desnudar emocional que se faz sentir em cada página. Comentários diversos apontam para a crueza do tema, e há os que dizem que a obra escancara o que muitos preferem esconder; um abismo humano que desafia a indiferença. Há quem critique a profundidade do sofrimento retratado, considerando-o um peso excessivo, enquanto outros falam de como se sentiram tocados e reconhecidos nas histórias de dor e superação. Essa dialética entre crítica e acolhimento é o que torna a obra ainda mais intrigante.
O contexto em que Petry escreve é vital para entender a força do seu relato. O Brasil contemporâneo, marcado por crises emocionais e sociais, cria uma atmosfera propícia para reflexões sobre o sofrimento. As vozes de um povo ferido reverberam nas páginas, fazendo com que cada arranhão se torne um símbolo de resistência e fragilidade, entrelaçados de maneira impressionante.
A habilidade de Petry em capturar nuances da existência humana é semelhante à de grandes nomes da literatura. Ele consegue brincar com as palavras de forma que habitualmente é feita por poetas renomados, como Adélia Prado ou Manuel de Barros. É uma dança entre a luz e a sombra, e a cada linha, ele nos coloca frente a frente com a nossa própria humanidade.
Sensação de incompletude e plenitude coexistem nas palavras, gerando um desejo ardente por mais. Você não consegue simplesmente "deixar pra lá" essa leitura; ela gruda na pele, se entorta em cada canto do seu ser e faz você se perguntar: "Quais são os meus arranhões?". E por que, às vezes, preferimos pendurar as feridas na parede em vez de curá-las? ✨️
Arranhões e outras feridas não é uma simples leitura. É uma experiência visceral que provoca mudanças nas mentalidades, uma provocação à indiferença que permeia a vida. Ao finalizar o livro, você se sente não apenas desnudado, mas fortalecido pela fragilidade exposta. O que pode parecer um grito de dor, no fundo, se transforma numa música que ecoa esperança e redenção. Queridos leitores, não fiquem de fora desta imersão. A obra não só merece ser lida, como precisa ser sentida, para que você não apenas se lembre, mas viva cada uma dessas feridas e arranhões.
📖 Arranhões e outras feridas
✍ by Cassionei Niches Petry
🧾 43 páginas
2019
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