Você já se sentiu perdido em uma conversa literária, rodeado de pessoas que parecem ter lido todos os livros do mundo, enquanto você mal conseguiu concluir a lista da mercearia? Então, meu amigo, Como Falar Dos Livros Que Não Lemos é a leitura perfeita para você, um verdadeiro manual do "jeitinho" literário. Porque, vamos ser sinceros, quem tem tempo para ler tudo?
O livro começa com Bayard nos alertando que, embora pareça super importante ter lido aquela famosa obra de Shakespeare ou até mesmo a nova biografia do artista mais badalado do momento, a verdade é que não ler um livro não significa que você não possa falar sobre ele! Calma! Não seja apressado em fechar essa página. Em vez disso, prepare-se para se tornar um verdadeiro "gênio" da conversação literária.
Pierre argumenta que a cultura literária não está apenas na leitura, mas em como você se apropria das ideias e temas que circulam por aí. Então, se você ouviu alguém falando que "O Senhor dos Anéis" é sobre um anel mágico, já é meio caminho andado. Você pode até misturar elementos de várias obras (sim, você pode combinar Garotos Malvados com Crime e Castigo), e antes que você note, lá estará você, empolgado e convencendo todo mundo que "lê tudo".
Um dos truques que Bayard sugere é misturar os livros que você não leu com as leituras que de fato realizou. É como fazer aquela famosa mistura de sucos que você inventa no liquidificador: um pouquinho disso, um pouquinho daquilo, e voilà! Está pronto um coquetel literário! Ele explora ainda a ideia da leitura coletiva, ou seja, você e seus amigos podem formar um clubinho de "não leitura", onde o que realmente importa é o debate e as opiniões, mesmo sem ter aberto o livro. Ou seja, um autêntico "clube do livro que não existe".
Além disso, o autor discute a importância do que ele chama de "memória cultural", onde as ideias são mais relevantes do que os textos em si. Ele nos ensina a travar um agradável diálogo sobre tudo, como se estivéssemos tendo um papo com um amigo que viu um filme e não o leu. Falar sobre um livro que não lemos pode ser uma arte, e, pasme, Bayard faz parecer o mais normal do mundo!
Então, em um tom quase school of thought, ele nos apresenta uma reflexão interessante: pensar e conversar sobre livros é muitas vezes mais enriquecer do que lê-los efetivamente. Um verdadeiro manifesto literário do "deixa pra lá!".
E antes que você comece a pensar que isso é um crime literário, vale lembrar que o próprio Bayard menciona obras que não são tão famosas assim, como as que você não escutou nem de leve. A sua missão, caso você aceite (e deve aceitar, porque é mais divertido), é usar sua imaginação e engajamento para criar uma aura de conhecimento literário que nem o mais experiente dos leitores conseguiria se aproximar.
Para a última - e mais polêmica - parte do livro: ele nos lembra que todos nós temos nossos favoritos que nunca lemos e que tudo bem isso ser parte da jornada literária. Resumindo: se você não leu, não tem problema! Apenas não chame de "litreratura", porque isso é só um jeito chique de dizer que você não entende nada. (Ups, spoiler).
Então, se você estava inseguro sobre seus "não leituras", respire aliviado e fique tranquilo! O mundo literário está ao seu alcance, mesmo sem o esforço da leitura. Afinal, mais vale um bom papo sobre uma obra que você não leu do que passar vergonha na roda de discussão. Agora é hora de arregaçar as mangas e se preparar para ser o mais novo especialista em livros que você nunca abriu!