Se você achou que a vida de um peregrino era só andar e rezar, avoado como um pombo em busca de migalhas, prepare-se! Em O delirante peregrino, o autor Fred Valles traz uma lição de luta que vai fazer você querer se inscrever num curso intensivo de autobiografia, com direito a histórias de amor e esperança que podem deixar muito romancista de plantão com inveja.
A narrativa gira em torno de um sujeito que, a princípio, parece mais perdido que cego em tiroteio. O tal peregrino, em uma jornada por terras que ele mesmo já não sabe mais se são sagradas ou apenas a desculpa para dar um rolê, começa a enfrentar os fantasmas da sua própria vida. A história é contada em um tom tão leve que você pode até esquecer que ele está lidando com os traumas que todo mundo já vivenciou: desilusões, afetos mal-resolvidos e aquela crise de identidade que dá vontade de mudar o cabelo para algo mais radical.
E, se você estava achando que a história era só sobre dar a volta ao mundo em um par de tênis bem surrados, engano seu! O autor não perde a oportunidade de incluir uma dose de romance, porque vamos combinar, quem não gosta de um bom casal apaixonado, mesmo que seja em meio a turbulências emocionais quase de novela mexicana? O amor aqui é retratado com tanta intensidade que se você não se emocionar, a gente duvida até da sua capacidade humana.
Além disso, o peregrino passa por desafios de uma forma que, se fosse um filme, teria até aqueles efeitos sonoros dramáticos no fundo, tipo "ahhh" e "ohhh" em cada tombinho e reviravolta da sua trajetória. Ele aprende a se levantar após cada queda, e convenhamos, se você der um rolê bem longo, a probabilidade de escorregar e ir parar no chão é mínima, mas certamente vai acontecer.
Spoiler alert: não espere um final de contos de fadas, porque a vida não é assim! Mas fique tranquilo, o desfecho é cheio de significados e ensina a todos nós que, no fim das contas, o importante não é só chegar ao destino, mas sim como você se comporta durante a viagem. Vale a pena lembrar que a esperança e a perseverança são como a cobertura daquele bolo que você não consegue parar de comer, mesmo sabendo que talvez essa atitude não seja a mais saudável.
O delirante peregrino é uma obra que navega entre a introspecção e a busca de um sentido para a vida, mas não espere um tratado filosófico; aqui temos mais um misto de drama com aquele humor que você só encontra em conversas de bar. Então, se você está buscando algo que combine reflexões profundas com risadas, dê uma chance a esse peregrino - e, quem sabe, você se torne um também, mesmo que a sua jornada seja somente até a esquina para comprar um pão.