Ah, Esquecidos por Deus, um título que já te faz pensar: "Ué, será que Ele não tá prestando atenção?" Escrito pela grande historiadora Mary Del Priore, essa obra é um verdadeiro mergulho na história do Brasil, especialmente nos seus "marginais", os pobres coitados que a vida e a sociedade se esqueceram. Vamos lá, pegue seu caderninho e prepare-se para algumas pérolas de sabedoria histórica - e a ironia é pura.
A autora se aprofunda na trajetória dos esquecidos, aqueles que viviam nas bordas da sociedade brasileira, e não, não é sobre os personagens de novelas que desaparecem e voltam ricaços - aqui a coisa é bem mais séria. Mary Del Priore explora como os grupos excluídos, como escravos, pobres, mulheres e indígenas, foram deixados de lado na grande narrativa da nossa história. Um verdadeiro "who's who" dos que não ganharam a superexposição nas páginas dos livros didáticos.
O livro é dividido em várias partes, onde Del Priore desmistifica a ideia de que a história do Brasil é feita apenas por nobres e heróis. Uhum, já ouviu falar de um tal de povo? Ela traz à tona como a elite cafeicultora ou os senhores de escravos foram, por muito tempo, os protagonistas da nossa saga nacional. E o resto? Bom, o resto foi deixado de lado, literalmente.
Um dos grandes destaques é a discussão sobre a invisibilidade social. Não se preocupe, essa não é mais uma discussão de memes virtuosos da rede social; é a análise do quanto uma sociedade pode ignorar as suas próprias origens. Del Priore fala sobre a influência da cultura europeia e como ela foi imposta, enquanto as vozes locais eram, muitas vezes, silenciadas. Basicamente, estamos em um show onde apenas uma banda se apresenta enquanto o resto do povo fica na plateia sem ser visto.
Outro ponto interessante são os relatos sobre a vida das mulheres. Ah, as mulheres! As verdadeiras heroínas que sustentaram o Brasil nas suas costas (ou, em algumas situações, nas suas brasas)! Mary Del Priore menciona como elas desempenharam papéis fundamentais, mas continuaram a ser ignoradas nas narrativas históricas. Uma prova de que a vida de uma mulher pode ser bem mais revolucionária do que a de muitos é que, às vezes, ela simplesmente se revolta e faz história.
E como se não bastasse, a autora também chama atenção para as políticas de memória. Afinal, quem decide o que fica e o que sai dos livros? A história, meus amigos, está constantemente sendo reescrita. Assim, você acaba percebendo que a maneira como relembraremos os esquecidos depende da visão dos que estão no poder.
Agora, um aviso de spoiler (calma, a história não acaba aqui!): o livro termina com uma reflexão profunda sobre a necessidade de dar voz a esses "esquecidos", um convite a olhar para as lacunas da nossa história e, talvez, um grito para que não os deixemos mais de lado.
No final das contas, Esquecidos por Deus é um lembrete de que a verdadeira história do Brasil não está apenas nas páginas brilhantes dos grandes nomes, mas, sim, nas lutas e nas vozes que sempre estiveram por trás das cortinas, esperando fervorosamente para serem ouvidas e, finalmente, lembradas. Então, que tal dar uma chance a esse pedaço da história que a gente jamais deveria esquecer?