Se você algum dia pensou em como os hobbies podem ficar um pouco... peculiares, talvez esse livro de John Fowles seja para você. O Colecionador não é só um retrato de um colecionador de borboletas (ou melhor, de pessoas), mas também um aviso: gente estranha existe e pode muito bem estar olhando para você neste exato momento. Então, prepare-se para mergulhar em um conto que dá arrepios e faz você questionar se é realmente uma boa ideia convidar estranhos para entrar na sua casa.
A história gira em torno de Frederick Clegg, um sujeito que poderia muito bem ser o protagonista de um documentário sobre a "vida de um solitário". Ele é uma espécie de colecionador - e, sim, não estamos falando de selos ou canecos de cerveja, mas de pessoas. Em especial, ele tem um interesse um tanto "especial" por Miranda, uma jovem e bela estudante de arte que ele observa em seu cotidiano, como um verdadeiro stalker de opereta. E você, leitor, pode imaginar que ter um admirador secreto, que na verdade não esconde muito bem um comportamento obsessivo, é uma experiência fantabulosa.
Frederick, que, se você não percebeu, não é bem a pessoa mais sociável do mundo, decide que Miranda deve ser parte de sua coleção. O plano? Raptá-la, claro! E assim, em um golpe de mestre que tornaria qualquer roteiro de filme de terror bem-sucedido, ele sequestra a jovem e a mantém em sua propriedade, em um armazém, como se fosse uma obra de arte que precisa de preservação. Em sua cabeça, isso é tudo parte de um romântico entendimento entre dois amantes - spoiler alert: não é.
Agora, enquanto Miranda tenta não enlouquecer e se pergunta se sua vida virará um filme B de terror, Frederick se vê lutando contra suas próprias neuroses sociais. O pobre coitado, que não consegue dialogar nem com um guarda-chuva, agora tem que lidar com uma mulher que, claro, não está nem um pouco interessada em sua "coleção". Aqui, Fowles começa a explorar temas como a obsessão, a solidão e, de quebra, a dinâmica de poder entre sequestrador e sequestrado.
E você deve estar se perguntando: o que pretende Frederick com isso? O amor? O controle? Um Instagram com fotos de um relacionamento dos sonhos? Bom, cada um tem suas motivações, não é mesmo? A narrativa não somente apresenta esses dois personagens, mas também provoca o leitor a refletir sobre o que é o amor, a liberdade e, principalmente, a sanidade.
Conforme a história avança, Fowles troca narradores e os pontos de vista, permitindo que você veja o caos da cabeça de Frederick e as tentativas de Miranda de escapar dessa situação inusitada. É uma dança macabra que mantém os leitores na pontinha da cadeira, pensando se tudo aquilo vai acabar em "felizes para sempre" ou em um "nunca mais vou olhar para a grama verde da mesma forma".
No final, o que fica é uma reflexão de que a vida pode ser tão bizarra quanto um filme de terror psicológico. Quando você achar que já viu de tudo, lembre-se do pobre Frederick, que sonhava em colecionar borboletas e acabou colecionando problemas e um certo... tiski-tiski. Então, fica a sua escolha: você prefere colecionar arte ou drama? Spoiler: ambos podem acabar com você em terapia!