Se você pensou que ia encontrar uma história sobre um arquiteto que, após um dia cansativo de trabalho, vai a uma festa de amigos beber uns drinks, está redondamente enganado! O Arquiteto, de Rui Tavares, é uma obra que combina arquitetura, história e uma pitada de crítica social, tudo isso temperado com a criação de um personagem que precisa lidar com a vida contemporânea em um cenário de incertezas e desafios.
A narrativa se desenrola a partir da vida de um jovem arquiteto que, como muitos de nós, atravessa os altos e baixos da modernidade. Ele se depara com as complexidades do ambiente urbano, onde os arranha-céus competem em metros quadrados com os sonhos e frustrações das pessoas comuns. O arquiteto aqui não é apenas um projetista de planos e estruturas de concreto; ele é um pensador sobre espaços, lugares e, claro, sobre os loucos que habitam esses lugares - bendito seja cada um deles!
Entre as reflexões sobre o ambiente construído e as interações sociais, o autor traz à tona a questão de como construímos nossa própria identidade em um mundo que parece estar sempre em uma eterna transformação. O arquiteto observa seu entorno, as obras em andamento e o que está por trás das fachadas, e isso se torna uma metáfora poderosa da busca pela própria essência em meio à confusão da vida moderna. Socorro! Alguém avisa esse personagem que ele não está sozinho nessa!
O livro passeia ainda por temas como a responsabilidade social do arquiteto, a ética na construção civil e como as cidades moldam os comportamentos humanos. Ou seja, se você achava que ler sobre arquitetura seria só um passeio pelo concreto, aqui vai uma surpresa: Rui Tavares inclui fórmulas filosóficas! Então, prepare-se para pensar e, possivelmente, para tomar um cafezinho a cada capítulo para digerir tudo isso.
E, como se já não estivesse bom o suficiente, o autor não tem medo de dar uma cutucada nos problemas que afetam as metrópoles contemporâneas, como a gentrificação e a falta de planejamento urbano. A gente acaba se perguntando: "¿Quem sou eu nesta cidade cheia de prédios que me olham, mas que não me acolhem?". E, se você se identifica com isso, pode esperar que o nosso arquiteto vai ter uma ou duas respostas, mesmo que elas sejam um pouco confusas.
Spoiler alert! Não espere que tudo se resolva de forma bonitinha ao final. Afinal, a vida real não tem um "felizes para sempre" gravado na porta de casa. O arquiteto vai perceber que navegar entre seus sonhos de artista e as exigências da sociedade é uma jornada repleta de contradições e, muitas vezes, mais cheia de buracos do que o asfalto da cidade!
Resumindo: se você quer uma leitura que misture criticas sociais aguçadas a uma dose generosa de reflexão sobre o espaço que habitamos, O Arquiteto é o ticket que você estava procurando. E lembre-se: do chão ao telhado, tudo é arquitetura... e talvez um eterno caos!