Se você pensou que "Matador Índio" seria apenas mais uma história sobre um índio que se tornou matador, já pode esquecer essa ideia e se preparar para uma verdadeira montanha-russa de emoções e ironias. Sherman Alexie, com sua prosa envolvente, nos apresenta um universo vibrante e cheio de nuances na vida de um protagonista que, com certeza, não é o que você está esperando.
A história gira em torno de Oral Roberts, um índio que vive em uma reserva e tem a peculiaridade de ser um ex-jogador de basquete. Mas, com um nome desses, quem precisa de mais enredos complexos, não é mesmo? Oral, que não é exatamente o que se pode chamar de um esportista exemplar, se vê enredado em uma série de eventos que o levam a ser um "matador" no sentido mais metafórico possível - ou seja, ele vai se tornando um verdadeiro exterminador de expectativas.
Os fantasmas do passado, superstições e a cultura indígena permeiam a obra. Além de um humor ácido, Alexie explora temas como identidade, desilusão e a luta contra os estereótipos que cercam a vida dos nativos americanos. Spoiler alert: a fantasia idealizada que Hollywood vende sobre os índios não passa de um filme de segunda categoria.
Durante a narrativa, encontramos personagens que fazem com que o leitor questione como seria a vida na reserva, mergulhando em situações absurdas que vão de tragédias pessoais a críticas sociais. A vida de Oral é marcada por uma série de relacionamentos, onde o amor, a traição e o ciúme se misturam como se fossem verdadeiros ingredientes de uma feijoada. É de dar inveja à qualquer dramatização típica de novela das oito.
E como se não bastasse, Matador Índio tem uma pitada de crítica social que deixa o leitor rindo e pensando ao mesmo tempo. O autor faz um trabalho magnífico ao escapar do clichê do "nativo sábio" e do "branco salvador". Não, aqui os personagens se revelam complexos, cheios de falhas e com problemas relevantes - como qualquer um de nós, que no fundo só queremos saber onde está a próxima comida.
No desfecho - e aqui tomem cuidado, porque spoiler pode entrar a qualquer momento - vemos Oral se confrontando não apenas com a sociedade, mas também com suas próprias escolhas. O cara que poderia ser um herói da NBA acaba sendo um personagem mais próximo da realidade do que muitos imaginam: em vez de glória, vive a busca incessante por um sentido em meio ao caos que lhe rodeia.
E assim, Matador Índio nos apresenta um protagonista que, apesar do nome, vai muito além da ideia de matador. O verdadeiro crime seria não dar uma chance a essa obra que é um verdadeiro tapa na cara do pensamento simplista que muitas vezes buscamos entender. E se há algo que aprendemos aqui, é que a vida na reserva é repleta de desafios, risadas e muito mais matanças metafóricas do que se imagina!