Prepare-se, porque estamos prestes a viajar por um dos labirintos mais intrigantes da mente humana, tudo isso sem sequer precisar de um mapa. _Eu via Satanás cair como um relâmpago_ é um daqueles livros que mergulha fundo na intersecção entre religião, violência e a natureza humana, tudo com um toque de crítica social que até o mais cético dos leitores não poderia ignorar.
Rene Girard, nosso guia nessa jornada, começa nos presentando sua ideia de que _a violência é uma constante na história da humanidade_. Peraí, você já ouviu essa história antes? Pois é, mas a forma como ele aborda isso é excepcionalmente única! Girard acredita que a violência não é uma simples anomalia, mas um componente intrínseco da cultura humana, quase como se fosse o tempero da receita que nós chamamos de vida em sociedade. Se você já ficou sem sal na comida, sabe como isso pode ser desastroso.
À medida que nos aprofundamos nas páginas, começamos a entender o conceito de "mimetismo". Girard afirma que as pessoas tendem a imitar umas às outras, criando uma competição pelo que o outro tem ou deseja. Ou seja, ele está dizendo que, se alguém começar a usar um novo tênis fashion, você pode muito bem se ver nesse ciclo de _"Quero aquele também!"_. E, assim, se estabelece uma espiral de rivalidade que, no fim, só gera violência. A fórmula do conflito social está criada!
E quem seria o grande "vilão" dessa história? Girard não perde tempo em jogar a culpa sobre Satanás, que, segundo ele, é responsável por grande parte dessa rivalidade desenfreada. Aliás, a trama da obra gira em torno da ideia de que, para Girard, Satanás não é apenas uma figura mítica; ele é o símbolo da rivalidade e da insanidade humana. E, sim, você já deve ter percebido que ele não tem muita paciência para a moral da história que a religião tradicional nos vende.
Boa parte do texto é uma análise da Bíblia e dos conflitos presentes nas narrativas sagradas. Girard mergulha de cabeça na história de Jesus e propõe uma leitura onde o sacrifício de Cristo não é só um ato de redenção, mas também uma crítica direta ao comportamento violento e mimético da humanidade. Espere por páginas repletas de referências bíblicas e interpretações que podem fazer você questionar tudo o que aprendeu até agora.
E, como todo bom escritor que se preza, Girard não se furta a trazer exemplos da literatura e da cultura popular como apoio para suas teorias. Assim, ele nos guia através das obras de autores como Dostoiévski e Shakespeare, como se estivesse fazendo uma grande festa da academia com os monstros sagrados da literatura.
Ao final da leitura, após um desfile de ideias provocativas e análises afiadas, somos deixados com uma questão: será que a natureza humana sempre será marcada pela violência e rivalidade? A resposta não vem de mão beijada, e é exatamente aí que Girard nos instiga a refletir.
Então, se você está a fim de um livro que não só desafia suas crenças, mas também promete trazer à tona todas as suas inseguranças sobre o "como a humanidade é complicada", _Eu via Satanás cair como um relâmpago_ é uma leitura que você definitivamente não deve deixar passar. E cuidado com as possíveis revelações de finais, mas aqui, como já dissemos, é a vida que falha e não a trama literária. Afinal, a história da humanidade não possui spoilers.