Se você acha que a vida vitoriana era feita de chás às cinco e bailes elegantes, pense novamente! Vitorianas Macabras é como aquele passeio em um castelo assombrado: você espera ver apenas fantasmas, mas acaba esbarrando em uma trilha de histórias tão sombrias que até o Chapeleiro Maluco ficaria emplastado. Essa antologia é uma coletânea de contos de autoras talentosas que vão fazer você repensar os costumes da época e se perguntar se alguém tinha, de fato, algum tipo de sanidade naquela sociedade.
Os contos apresentados são um verdadeiro desfile de personagens excêntricos que integram os mais diversos horrores psicológicos e sobrenaturais. A viagem começa com Charlotte Brontë, que, por algum motivo inexplicável, adora criar protagonistas que têm mais drama na vida que qualquer novela mexicana. Seus personagens estão sempre à beira de um colapso existencial, entre corações partidos e os ritmos trágicos da vida.
Logo em seguida, temos H.D. Everett e suas pérolas de terror psicológico. Prepare-se para personagens que são a combinação perfeita de história de amor, mas com um toque tão perturbador que você pode acabar perguntando onde escondeu a luz do sol. Se você estava esperando por uma história romântica, esqueça! Aqui, o amor é envolto em mistério e repleto de segredos obscuros.
Na sequência, Rhoda Broughton leva o conceito de "amor não correspondido" a um novo nível, e você se perguntará se a tal da felicidade a dois é realmente uma ilusão. A habilidade de Broughton em dar vida a personagens que navegam nas águas turvas da paixão e da traição é quase poética, mas ao mesmo tempo, dá aquela sensação de "tô fora".
Elizabeth Gaskell, por sua vez, nos apresenta uma crítica à sociedade vitoriana, especialmente em relação ao papel da mulher e às suas lutas. Prepare-se para um vozeirão e tanto, porque a autora não faz questão de manter o que pensa em segredo. A força emocional de suas histórias vai fazer você sentir como se estivesse em um debate acalorado com suas amigas sobre a vida e os relacionamentos, mas em vez de uma briga de travesseiros, é um verdadeiro duelo de sentimentos.
E quem diria que a amiga da turma, Edith Nesbit, viria com um toque de humor sombrio? Seus contos apresentam uma mistura de nostalgia e terror, sendo que o terror aqui é mais sutil, como aquele amigo que tira sarro da sua vida, mas no fundo só quer ver você bem... ou não.
Em suma, a coletânea de Vitorianas Macabras é um deboche àquela fé renitente na moral da época, e cada autora traz sua própria visão sobre os medos, os amores e as tragédias da vida. Claro, tudo isso temperado com aquele drama bem-vitoriano e a capacidade de fazer você olhar para o lado escuro da natureza humana. Recomendo que você não leia à noite. ou vai acabar chamando a vovó para dormir junto.
Ah, e para os mais curiosos, spoiler: se você estava esperando finais felizes, pode ir tirando os cavalinhos da chuva! Por aqui, o mais perto de final feliz que você vai chegar é com um personagem que, após muitas reviravoltas, se livra de uma maldição. mas ainda assim não vai ter um cachorro para brincar junto ao pôr do sol.