Ah, Desorientais, escrito pela talentosa Alice Ruiz, um verdadeiro mergulho nas desventuras de uma protagonista que, como um peixe fora d'água, tenta encontrar seu lugar em meio ao caos da vida moderna. A narrativa nos apresenta uma moça que vive entre o casal "pobre e infeliz" e "rico e hipotecado", navegando essas correntes de desprezo, amor e confusão com uma leveza digna de um circo sem rede.
A obra é composta por uma série de poemas e crônicas que capturam a essência da vida desorientada da protagonista. Com uma linguagem que vai do sutil ao escrachado, Desorientais é um convite para encarar o mundo com ironia e sensibilidade. A autora, como uma verdadeira artista da palavra, transforma as pequenas tragédias do dia a dia em grandes epopeias internas - só que sem o drama de uma novela mexicana.
A protagonista vive uma espécie de limbo emocional e existencial, onde cada verso parece questionar o que realmente significa estar "em casa". Afinal, quem nunca se sentiu um verdadeiro "desoriental" neste mundão maluco? Ao longo da obra, somos apresentados a uma galeria de personagens que representam aquelas figuras arquetípicas que sempre aparecem nas nossas vidas - o amigo que só fala sobre política, a sogra que vive de olho em você e, claro, o ex que nunca se vai.
Spoiler alert: não espere por um final redondo ou repleto de soluções. Alice nos permite entender que a jornada é muito mais interessante do que o destino. Assim, a protagonista continua sua busca por pertencimento, em uma dança entre a saudade e a nova realidade. É isso mesmo, não há uma epifania no final - e essa é a beleza do texto!
Os temas da identidade, da busca por um propósito e da reflexão sobre o ser humano estão presentes em cada página, como grafites invisíveis que se revelam a quem se aventura a ler entre as linhas. Desorientais nos faz rir, chorar e, principalmente, refletir sobre a nossa própria desorientação diante da vida.
Em suma, este livro é como aquele amigo que sempre traz a pizza errada para a festa, mas você ainda assim ama ter por perto. Se jogue nesta leitura e descubra que estar desorientado pode ser, na verdade, a melhor forma de estar orientado! Afinal, quem quer seguir uma direção fixa quando se pode explorar novos caminhos e, porque não, se perder de vez em quando?