Se você acha que os livros sobre amizade são só para adolescentes que ainda não encontraram sua identidade, Minhas amigas do Joaquim Ferreira dos Santos vem para mudar essa visão! Aqui, o autor se joga em um universo de memórias, reflexões e algumas pitadas de humor (mas aquele humor de gente mais velha, sabe?).
Vamos começar destacando que Joaquim não tem papas na língua e narra sua relação com suas amigas de uma forma que nem sua mãe ia imaginar. Em um tom bastante íntimo, meio confessional, ele passa por diversas fases da vida e mostra como a amizade feminina é um verdadeiro mar de emoções, com direito a tormentas e calmarias, podendo assim nos dar aquela sensação de estar em um barco furado, mas que se mantém flutuando por causa das parceiras de jornada.
O autor fala sobre um dos temas mais candentes do nosso século: as amigas! Aquelas com quem você compartilha segredos, segundas intenções e, claro, as famosas "fofocas do dia". Através de histórias que retratam desde a infância até a fase adulta, Joaquim faz uma odisseia que poderia ser facilmente uma série da Netflix - cheia de reviravoltas, desentendimentos e aqueles momentos de "eu não acredito que ela fez isso".
Um dos pontos altos do livro é como ele retrata as diferentes personalidades que surgem nas amizades. Temos aquela amiga compreensiva, a que é toda 'sincerona', a que só quer saber de balada e quem pode esquecer a amiga que sempre traz os meninos errados para a roda? É como se ele estivesse praticando uma verdadeira antropologia da amizade feminina: você ri, você se identifica e, de quebra, também se pergunta: "será que sou eu essa amiga problemática?".
E não vamos deixar de lado a dose de nostalgia. O autor nos faz lembrar, com alguma melancolia e um toque de humor ácido, das peripécias e dos encontros em cafés e bares, locais sagrados da confraternização feminina. Ele fala sobre as crises de relacionamentos, a fase do "despertar para a vida adulta" e como tudo isso pode ser um pouco exagerado, mas, no fim, é exatamente isso que fortalece essas amizades. Tem até momento de pandemia que, se você não se identificou com a solidão de se estar longe das amigas, você não estava lendo!
Com suas anedotas e reflexões, Joaquim faz um convite aos leitores para que possam revisitar seus próprios círculos de amizade e se perguntarem: "Onde andam as minhas amigas? Será que ainda estão lá, prontas para mais uma?!"
Spoiler alert: Não tem um final feliz no estilo "de todos viveram felizes para sempre", mas sim uma conclusão que é comum na vida: as amigas vão e vêm, mas as histórias ficam. Então, munido de risadas e algumas lágrimas, o leitor perceberá que a verdadeira amizade é como vinho: melhora com o tempo, mesmo quando às vezes enche a sua paciência.
Para encerrar, Minhas amigas é uma verdadeira ode à complexidade do universo feminino, sem deixar de lado um humor que vai trazer sorrisos e muitas, mas muitas lembranças à tona. Prepare-se para rir, chorar e, quem sabe, até resolver ligar para aquela amiga que você não vê há séculos!