Se você sempre achou que os Evangelhos tradicionais eram um pouco "menos" do que deveriam ser, prepare-se para conhecer O Evangelho de Tomé! Essa obra, atribuída a Judas Tomé Dídimo, é um dos textos mais intrigantes e peculiares do cristianismo primitivo, ou como eu gosto de chamar, o "ficção cientificamente anárquica da Bíblia".
Em vez de ser uma narrativa sequencial da vida de Jesus e suas andanças, como os outros evangelhos fazem, esse aqui é uma coletânea de logia, que são basicamente ditados e ensinamentos de Jesus, ou seja, ele é o livro mais "self-help" do Messias que você vai encontrar. Imagine Jesus dizendo aquelas verdades universais que você lê em memes do Instagram, e é disso que se trata!
Logo de cara, o tom de O Evangelho de Tomé é bem mais místico e esotérico. As "palavras de Jesus" são apresentadas como um grande enigma que só uma mente iluminada (ou uma mente cheia de café e boa vontade) consegue desvendar. E dá-lhe ponderações sobre a natureza do ser, a importância do autoconhecimento e a descoberta da verdadeira luz.
Um dos aspectos mais interessantes é que aqui Jesus aparece como um filósofo profundo, preocupado com a compreensão interior dos homens, ao invés daquele cara carismático que só fazia milagres, e, claro, multiplicava peixes e pães (o que, convenhamos, é bem útil). Os ensinamentos falam de "saber quem você é" e "não depositar fé apenas em rituais", como se Jesus estivesse ali, já pensando na crítica ao consumo excessivo de cultos modernos.
Falando em polêmica, esse evangelho ignora completamente a narrativa clássica da vida de Jesus, os milagres e, pasmem, até sua morte e ressurreição. Isso pode dar um nó na cabeça dos mais conservadores, mas é isso que torna a leitura muito mais instigante e, claro, um tantinho rebelde.
Ao longo das 45 páginas, somos provocados com ideias que podem gerar mais perguntas do que respostas, como "o que é a luz?" e "será que devemos realmente levar tudo tão a sério?". É o típico textual que deixa um gosto de "preciso de mais café e um pouco de introspecção".
E agora, um spoiler que não é bem um spoiler, mas é um alerta: se você esperava por uma história linear e com começo, meio e fim, pode se preparar para um rolê no estilo "tome suas próprias conclusões". A interpretação está nas entrelinhas e nas encruzilhadas das palavras de Jesus, que, ao que parece, estava uns bons séculos à frente de seu tempo.
Então, se você está atrás de um texto que vai colocar suas ideias sobre cristianismo, espiritualidade e autoajuda em cheque, O Evangelho de Tomé promete tirar sua zona de conforto da lamparina e colocá-la em um lugar mais iluminado. Boa leitura!