Se você esperava um passeio tranquilo pelo Rio de Janeiro, sinto te informar que "Riocentro: Quais Os Responsáveis Pela Impunidade?" não é bem isso. Aqui, o autor Julio De Sá Bierrenbach mergulha no lado sombrio da história brasileira, especificamente no famoso atentado de 1981 que mirou no evento de comemoração do aniversário da cidade e acabou por se tornar um marco de impunidade.
Logo de cara, somos introduzidos ao contexto do atentado do Riocentro - um episódio que, por muito tempo, desencadeou debates acalorados e teorias da conspiração. O autor apresenta os detalhes de como a tentativa de explodir uma bomba em um show de música popular virou uma verdadeira novela mexicana, mas sem o charme. O que mais surpreende é que isso foi tudo feito pela esquerda e pela direita, duelando artisticamente entre os gêneros da tragédia e da comédia da vida real.
No decorrer do livro, Bierrenbach arregaça as mangas e entra de cabeça na análise dos responsáveis - ou da falta deles - pelo atentado. Uma verdadeira caça às bruxas que não leva a lugar algum. A narrativa é recheada de entrevistas, documentos e a famosa "versão oficial", que é tão confiável quanto um gato na chuva. O autor se faz perguntas importantes: Por que a maioria dos responsáveis permanece impune? Quem exatamente está jogando xadrez com as vidas das pessoas no Brasil? Spoiler: as respostas são aterrorizantes e, ao mesmo tempo, muito familiares para quem acompanha os noticiários.
Uma das partes mais intrigantes é a análise da imprensa. Para o autor, os jornalistas que cobriram o caso não eram exatamente os super-heróis que esperávamos; a cobertura foi mais parecida com uma novela das nove, repleta de reviravoltas, heróis e vilões, mas sem uma conclusão digna. E, é claro, a impunidade se torna um personagem constante, quase como uma figura mítica que dá as caras, mas nunca é pega.
Além de mostrar todos os detalhes dessa tragédia, o autor habilmente traça um paralelo entre o atentado e a cultura política do Brasil. Um verdadeiro festival de irresponsabilidade que parece ter continuidade até os dias de hoje. O livro provoca uma reflexão sobre a repetição da história, mostrando que algo tão horrendo como um atentado não pode simplesmente ser esquecido. E, cá entre nós, a sensação é de que estamos sempre presos em um loop de replays de eventos trágicos.
Resumindo, "Riocentro: Quais Os Responsáveis Pela Impunidade?" não é apenas uma obra sobre um atentado; é um chamado à consciência coletiva. Um lembrete de que, por trás do glamour carioca, há uma história sombria de desvio de ética e moral. E se você achava que a impunidade no Brasil era um conceito novo, prepare-se: já está na lista de best-sellers desde a década de 80.
Então, respire fundo, pegue seu catavento de papel e se prepare para uma viagem histórica que vai fazer você pensar duas vezes antes de achar que a violência e a corrupção são apenas frutos do nosso tempo. Afinal de contas, a história tem um jeitinho muito peculiar de se repetir, e, como sempre, alguns ficam de fora, enquanto outros ganham medalhas... de impunidade.