Se você já se pegou pensando "O que eu faria se um lobisomem aparecesse na minha vida?", provavelmente não chegaria a uma resposta sensata. Richard, nosso protagonista, pode ser considerado o infeliz que, como você, também não estava preparado para tamanha situação cinematográfica. Em A Hora do Lobisomem, Stephen King nos apresenta uma narrativa que mistura terror, ação e uma pitada de humor (se você tiver um gosto peculiar e achar graça em micos sobrenaturais).
A história se passa em uma cidadezinha do Maine, onde parece que o clima pacato não combina muito bem com eventos sobrenaturais. Tudo começa com a lua cheia, aquele momento mágico em que alguns, como você e eu, preferimos um chocolate quente e cobertores, mas para Richard, significa a oportunidade de se transformar em um ótimo herói ou uma deliciosa vítima. O moço, que felizmente já era um bundão, acaba se envolvendo numa confusão porque não levou a sério as histórias de um tal lobisomem que andava aprontando por aí.
Claro que ele é levado a fazer algo para resolver a situação e aí entra um bocado de adrenalina, pois quem não gostaria de enfrentar um lobisomem sem nem saber onde se meteu? Assim, a narrativa avança mostrando a luta interna de Richard (provavelmente mais contra os próprios nervos do que contra a fera). Ele também não está sozinho nessa viagem - temos o personagem suculento do lobisomem que, convenhamos, tem uma vida bem mais interessante do que a dele.
Ao longo das páginas, observamos ideias de suspense em crescendo. King é um mestre em descrever a tensão e o ambiente, e ele se entrega a isso como um artista em seu ateliê. Por onde Richard vai, os cabelos se arrepiam e o leitor também! Os habitantes da cidade mostram seu lado mais visceral e, não vamos mentir, são aqueles dedinhos que se coçam para dar um murro em algo ou alguém. A galera parece mais preocupada em caçar o bicho do que ajudar o pobre romântico.
Mas não se preocupe! Ao contrário do que se poderia imaginar, a obra não é só um desfile de sangue e gritos. King também nos dá um vislumbre da vida cotidiana, repleto de personagens excêntricos que fazem seus dramas, como se estivessem no mais recente reality show. Richard vai tentando se adaptar a essa nova vida, e quem nunca sonhou em ter um novo hobby como "lutar contra um lobisomem na lua cheia"?
Muitos leitores provavelmente viram a tentação de fazer um monólogo interno sobre a vida e a morte, enquanto Richard tenta não só sobreviver a essa experiência, mas também compreender o tipo de pessoa que se torna ao entrar em contato com o sobrenatural. Não vou estragar a surpresa (afinal, spoiler é algo que estraga o sabor da pipoca, não é mesmo?), mas a forma como o embate se desenrola vai deixá-lo a postos para intervir na próxima festa de Halloween.
Por fim, A Hora do Lobisomem é uma leitura que mistura o cômico ao sombrio, como um típico filme de terror com pitadas de humor. Então, prepare-se, porque aqui você não só encontrará lobisomens, mas também um fresco olhar sobre a vida, a luta pela sobrevivência e, claro, a necessidade de um bom conselho para evitar as armadilhas da vida sobrenatural. E, convenhamos, quem nunca quis um lobisomem como amigo?