Preparados para uma viagem ao funesto (e não tão divertido) mundo dos governos militares na América Latina? Pois é, pegue seu colete à prova de balas e venha comigo nessa seleção de desastres que, se não fosse sério, seria quase uma comédia de errar o alvo.
Osvaldo Coggiola nos apresenta um panorama da instabilidade política da região, onde, pasmem, os militares deram as cartas em diversos países por longos períodos. Se você achar que a democracia é coisa fácil, esse livro vai abrir seus olhos e talvez até causar algumas cólicas (mas aparentemente não é assunto para se rir, então vamos lá).
O autor inicia o passeio histórico com as origens dos golpes militares, explicando que nem tudo começa no estalar de dedos. Não, meus amigos, a coisa é muito mais complexa: crises econômicas, tensões sociais e, claro, um vacilo aqui e outro ali, até que finalmente um general decide que é hora de "rasgar a Constituição" e sair colocando os sapatos em cima da mesa de ordem da democracia. O que poderia dar errado?
Coggiola depois nos apresenta uma série de casos: do Chile de Pinochet, passando pela Argentina da ditadura, ao Brasil, onde os generais "faziam a festa" enquanto o povo só dançava a música da repressão (e não é que era uma dança bem estranha). Cada um tem sua história, e muitas de suas narrativas são de arrepiar os cabelos e provocar pesadelos.
Mas esperar por uma virada de enredo? Pois é, a democracia finalmente aparece, qual herói de filme de ação ao salvar o dia. Porém, calma! A transição não é nada fácil. Nosso autor destaca que, mesmo após a volta aos trilhos democráticos, os fantasmas do passado ainda assombram a política e as relações sociais, e ainda temos aqueles furos na democracia que deixaram marcas profundas.
Ah, e para aqueles que acham que a questão dos direitos humanos foi bem tratada, Coggiola joga na cara a triste realidade de torturas, desaparecimentos e muito mais, que rivaliza com um roteiro de terror, só que sem os efeitos especiais. O autor não economiza nas descrições, te colocando de cara com a dureza da realidade.
E, como se não bastasse, ao longo do livro, ele também discorre sobre a participação da sociedade civil, os movimentos sociais que surgem em meio a esse turbilhão e a luta pela memória, verdade e justiça. Uma parte um tanto mais esperançosa, mas não se empolgue muito, porque é tudo um tanto complicado.
Com um final que poderia servir como epílogo de um drama político, o autor nos deixa com questões em aberto sobre o futuro dos governos na América Latina. Será que o passado maldito vai mesmo ficar enterrado? Ou será que, em algumas situações, o retorno dos militares ainda é uma sombra a espreitar?
Em suma, "Governos militares na América Latina" é um banquete de informações e uma reflexão tensa sobre a fragilidade das instituições democráticas na região. E quem diria que entender sobre esses temas seria tão direto e ao mesmo tempo tão complicado? Spoiler alert: a democracia não é uma festa sem fim!