Vamos falar sobre uma obra que parece ter saído diretamente de um roteiro de filme de terror com toques de comédia pastelão: Diário da catástrofe brasileira: Ano I: O inimaginável foi eleito, do autor Ricardo Lísias. Prepare-se, porque o autor não está brincando quando diz que o inimaginável foi eleito; ele realmente está se referindo a uma era política que faz a novela das nove parecer um conto de fadas.
Neste diário, Lísias nos apresenta um compêndio de eventos que se desenrolaram após a eleição de 2018, quando a política brasileira se transformou em um verdadeiro circo de horrores. O autor não economiza nas palavras e narra como ele se sentiu em meio a uma montanha-russa de absurdos políticos, sociais e culturais. Ele usa a primeira pessoa para trazer o leitor a bordo do seu barco furado chamado "Realidade Brasileira", onde a única coisa que se intensifica é a sensação de impotência e constrangimento.
A narrativa de Lísias é entremeada com críticas afiadas e bem-humoradas sobre os acontecimentos diários que moldaram o cenário político. Ele retrata a sensação surreal de viver em um país que foi transformado em um meme vivo, onde cada dia traz uma nova dose de bizarrices. E spoiler: se você procura esperança, é melhor parar por aqui, porque o que ele entrega é um panorama denso e, muitas vezes, desolador do atual momento político.
A obra também apresenta um retrato da polarização que toma conta da sociedade. Lísias investiga como as pessoas se dividem em lados opostos, num carnaval de gritos e insultos, com certeza mais divertido que um baile de formatura, e com menos elegância. Ele fala sobre como a informação se transformou em uma arma e a desinformação tornou-se a regra do jogo. Uma verdadeira batalha de "nós contra eles".
Mas a comédia não para por aí. O autor, com a maestria de um stand-up comedian, ironiza a fragilidade das estruturas que sustentam o Estado e a sociedade, revelando as contradições que tornam a realidade ainda mais absurda. As instituições estão mais ameaçadas que um coelho em um dia de Páscoa, e Lísias não hesita em expor essa vulnerabilidade.
Além disso, o autor coloca sua própria experiência como cidadão empolgado, mas perplexo, nesse grande teatro da vida. Ele questiona seu papel nesse tablado, assim como o papel de todos nós em meio a essa catástrofe inominável. E ele não está sozinho nessa jornada; o leitor é convidado a caminhar ao seu lado, rindo ou chorando (dependendo do seu grau de otimismo).
No final, Diário da catástrofe brasileira é uma obra que proporciona um olhar crítico e, com certeza, hilariamente ácido sobre a situação do Brasil. Se você está atrás de balas de sabedoria ou otimismo, talvez tenha ido parar na prateleira errada. Mas, se você aprecia um bom humor ácido e um questionamento aguçado sobre a realidade, então Ricardo Lísias pode muito bem ser seu guia nesse emaranhado de eventos desastrosos.
Então, prepare-se para entrar na dança do "quem é mais absurdo", onde a única certeza é que o inimaginável já aconteceu - e, pelo visto, ainda vai fazer muitas aparições por aqui. É isso, galera, a bagunça continua e o diário é a nossa única saída.