Ah, O Bandido do Rio das Mortes! Um verdadeiro carnaval de emoções, drama e, claro, muito tiroteio. Bernardo Guimarães, numa obra datada do século XIX, nos traz a crônica da vida errante de um tal de Juca, também conhecido pelo elegante título que dá nome à obra: o bandido do Rio das Mortes. Se você pensou que estava prestes a ler um conto de fadas, sinto muito, mas você se enganou redondamente.
A trama começa na pacata cidade de Caxias do Sul, onde Juca, um moço que teve um passado nada comum, decide que ser bandido é a profissão mais idônea. E não apenas qualquer bandido, mas um fora da lei que arrasta junto de si uma legião de admiradores e, claro, muitos inimigos. O cara é uma espécie de Robin Hood às avessas, embora a parte de 'dar aos pobres' não esteja bem clara - a não ser que "pobres" signifique "a última pessoa que cruzou seu caminho".
Os eventos se desenrolam por meio de trapaças, escapadas audaciosas e um romântico enredo amoroso. Isso mesmo, porque Juca não é só um facínora, mas também um amante das boas tradições! Entre as suas peripécias, ele se envolve com a bela e encantadora Margarida. Enquanto isso, o pessoal da cidade se desdobra em tentar capturá-lo, já que desviar de balas não é uma habilidade ensinada em escola nenhuma.
A narrativa oferece um verdadeiro desfile de personagens caricatos. Temos o delegado, que como todo bom policial retrógrado, faz mais ameaças do que conquistas. Temos também os "coitadinhos" que, de tão ingênuos, podem entrar na lista de simpatizantes do bandido. Claro, não podemos esquecer das traições e das reviravoltas que fazem a cada página se tornar uma verdadeira festa - embora isso não signifique que o Juca tenha festa de aniversário garantida a cada assalto.
Agora, se você ficou curioso, aqui vai a parte que muitos consideram "spoiler": o destino de Juca não é exatamente o que se poderia esperar. No clímax da obra, o mocinho-bandidão acaba por se confrontar com as consequências de seus atos (spoiler alert: ele não sai ileso, acredite). É aquele momento em que você percebe que não basta ser bandido; você também deve ser esperto, e Juca, coitado, não é o melhor aluno da sala.
Por fim, O Bandido do Rio das Mortes é uma rica mistura de crítica social, romance e aventura - e tudo isso regado a uma pitada de humor involuntário e tragédias que fariam Shakespeare levantar da sepultura para dar risadas. Ou seja, uma leitura que não só vale a pena, mas também faz você se perguntar: "Como eu não li isso antes?" Se você quiser despistar o tédio do dia a dia e encarar a vida como um bandido que persegue seus desejos, essa obra é o seu mapa. Agora, se me dão licença, vou ali sacar um pouco de moralidade com muito débito e crédito.