Se você pensou que "Rio Botequim 2011" é um guia para abrir seu próprio bar ou um manual de como beber com classe, sinto informar, mas você se enganou (ou acertou, quem sou eu para julgar suas intenções?). Na verdade, o autor Guilherme Guimarães Studart apresenta um verdadeiro mosaico das experiências urbanas cariocas da época, impregnadas de cultura, música e, claro, muita cerveja!
O livro é uma espécie de diário de bordo que relata o processo de transformação do Rio de Janeiro durante os eventos que antecedem a Copa do Mundo de 2014. Isso mesmo, aquele evento que fez seus amigos se tornarem críticos de futebol do dia para a noite! A obra é uma combinação de crônicas que capturam o dia a dia das pessoas nas ruas e, principalmente, nos botequins - que são o coração pulsante da sociabilidade carioca.
A narrativa se desdobra em um desfile de personagens que poderiam muito bem ser seus vizinhos ou até você mesmo. Aqui temos desde o malandro que sente que o mundo deve girar em torno dele, até a senhora que faz o melhor "bolinho de bacalhau" da região. E, claro, não pode faltar o apaixonado por futebol que jura que o time dele é o único com chances de ganhar o campeonato mundial. Um verdadeiro reflexo da diversidade e do calor humano da cidade maravilhosa!
Ao longo do livro, Studart também aborda como a cidade enfrentava a angústia de suas próprias contradições: a festa e a miséria, o glamour e a falta de infraestrutura. É como ir a um botequim e pedir uma caipirinha, enquanto se observa a movimentação da rua: há sempre algo a mais acontecendo. O autor utiliza um tom leve e humorado, e é difícil não rir (ou chorar) enquanto se lê sobre essas peripécias.
Dentre as várias histórias contadas, algumas são mais impactantes do que outras. O autor não se esquece de abordar as questões sociais, políticas e culturais que permeiam o cotidiano carioca, como um verdadeiro sambista que sabe que, no fundo, cada verso carrega um pouco de luta.
E enquanto a narrativa flui, ficamos pensando: será que a "Ginga dos Cariocas" se reflete no jeito como eles se divertem? E a resposta (não tão spoiler assim): sim, totalmente! Com uma prosa que se parece mais uma conversa de bar, Studart consegue transmitir essa essência.
Concluindo, "Rio Botequim 2011" é muito mais do que uma simples coleção de histórias; é um retrato afetuoso e por vezes sarcástico de um Rio de Janeiro que ainda tenta encontrar seu lugar no mundo, entre a alegria dos botequins e as tristezas da realidade. É como ir a um bar e descobrir que a vida é feita de risadas, lágrimas e um bom drink.🍻
Mas, lembre-se: beba com moderação, pois as musas do Carnaval estão sempre à espreita!