Se você sempre quis saber como seria ter uma vida tão cheia de reviravoltas que até um roteirista de Hollywood ficaria impressionado, então Michelangelo - Uma Vida Épica é o seu destino. Martin Gayford se propõe a narrar a trajetória do gênio da Renascença de forma tão vibrante que você quase sente vontade de comprar uma tela e começar a esculpir.
Michelangelo Buonarroti, um artista que não apenas pintou e esculpiu, mas que absolutamente redefiniu o significado de "fazer arte", tinha uma vida digna de um épico. Nascido em 1475, em Caprese, ele desde pequeno parecia destinado ao sucesso - e ao drama. Afinal, quem precisa de uma vida tranquila quando se pode ser um gênio problemático?
Gayford nos apresenta o jovem Michelangelo, que começou a mexer com estátuas de mármore e a dar vida a pedras que pareciam mais duras do que sua vida pessoal. Logo, ele se mudou para Florença, o berço da arte, onde, se não era um artista, pelo menos sabia muito bem como se meter em confusão com os Medici. Sim, porque se envolver com a realeza é sempre uma boa ideia, não é mesmo?
E assim vemos nosso protagonista passar por uma série de encomendas e rivalidades, incluindo a competição ridícula com Leonardo da Vinci - também conhecido como aquele cara que pintou a Mona Lisa e achou que poderia intimidar Michelangelo. O que segue é uma narrativa de maestria, inimizades e, claro, muito trabalho duro para esculpir obras-primas como a famosa David. Dica: se você um dia se sentir inseguro sobre suas habilidades, lembre-se que Michelangelo levou mais de dois anos para finalizar essa escultura.
A obra narra os altos e baixos da vida do artista, incluindo sua famosa obra na Capela Sistina - um verdadeiro quebra-cabeça de imagens sacras que, se você parar para pensar, deve ter sido ideia de um chefe bem exigente. "Pinte o céu, Michelangelo, mas não é só isso! Faça também o Juízo Final, tá bom?" Fazendo um trabalho duplo, Michelangelo ainda conseguiu arranjar tempo para compor sonetos sobre sua vida e suas amarguras, o que, sejamos sinceros, é puro drama - mas quem não ama?
O autor não só descreve a vida do artista com uma linguagem envolvente e acessível, mas também contextualiza historicamente seus feitos, o que lhe confere uma visão mais rica e divertida sobre a vida desprovida de selfies e redes sociais de seus tempos. Com cada pintura e escultura, sentimos que finalmente podemos entender como era viver naquela época, diante de tantas intrigas políticas e artísticas.
Então, prepare-se para um passeio pela vida de Michelangelo, que nos mostra que, por trás de grandes obras, há sempre uma boa dose de sofrimento, rivalidade e, claro, muito talento - porque, convenhamos, ninguém se torna um gênio da noite para o dia. E nada como um resumo cômico para lembrar que existem mundos inteiros por trás de cada pincelada; neste caso, muitas vidas e sonhos.
No final, Gayford nos convida a refletir sobre a herança deixada por Michelangelo e a importância do seu trabalho, que continua a nos inspirar mesmo séculos depois. Ou seja, spoiler grátis: se você pensava que isso tudo tinha terminado com ele, desiluda-se, porque esse é um daqueles legados que nunca morrem.