Se você acha que já passou por situações complicadas na vida, pegue um assento e prepare-se para embarcar na montanha-russa emocional que Quando Perdemos, de Miguel Marques, tem a oferecer. Com 176 páginas recheadas de situações que poderiam ser escritas em um roteiro de filme de terror com pitadas de comédia, o autor nos leva a refletir sobre perdas - e não, não estamos falando apenas de perder o último pedaço de pizza.
Em uma narrativa que podemos chamar de "agora vai", a obra trata, de forma interligada, sobre relacionamentos, autoaceitação e, claro, as inevitáveis perdas que todos nós enfrentamos. Desde a perda de um amor que parecia eterno até aquelas amizades que se desmancham como açúcar no café, Miguel nos mostra que a vida não é só flores e que, às vezes, temos que encarar tempestades de bastante chuva e poucos guarda-chuvas.
O protagonista, que poderia ser qualquer um de nós (ou o seu primo que não tem jeito para relacionamentos), está mergulhado em um mar de dificuldades emocionais. Ele tenta entender por que algumas relações se vão, e nos convida a uma reflexão: será que somos nós que estamos sempre no caminho das pedras? O autor traz à tona a dificuldade de lidar com a ausência do outro e como isso pode se transformar em uma verdadeira carne-de-vaca emocional.
Spoiler alert: aqui você não encontrará o "felizes para sempre", mas sim um convite a entender que a vida continua, mesmo que isso signifique aprender a andar sem muletas emocionais. A história se desenrola com diálogos que parecem ser mais trocas de mensagens do que conversas profundas, o que dá um toque bem humorado em meio ao drama, mostrando que todos nós somos um pouco clowns na mensagem que queremos passar.
Além das reflexões sobre amor e amizade, a obra aborda também questões sobre aceitação pessoal e a luta interna que cada um enfrenta. Miguel Marques não é nenhum filósofo de terno e gravata, mas suas ponderações sobre a vida são, no mínimo, um chute no balde das certezas. Ele nos faz pensar: e se, ao invés de lamentar a perda, a gente comemorasse a liberdade que ela traz?
Se você estava atrás de respostas definitivas, pode se preparar para se decepcionar: Quando Perdemos não tem essa intenção. O objetivo é mais provocar, discutir e, quem sabe, arrancar algumas risadas diante do caos que pode ser a vida. E, claro, fazer com que a gente pense duas vezes antes de deixar a pizza esfriar ou o amor da sua vida escapar pelos dedos.
Em suma, Quando Perdemos, de Miguel Marques, é um convite à autocrítica e à busca da felicidade mesmo nas desventuras mais trágicas. Prepare-se para perder algumas lágrimas, mas também para encontrar sorrisos entre os buracos do caminho. No final das contas, a vida é uma comédia, ou pelo menos deveria ser. Não está fácil para ninguém, mas rir da dor pode fazer o remédio da alma funcionar muito melhor!