Prepare-se para mergulhar em um mundo onde a corrupção parece mais uma novela mexicana do que a triste realidade do Brasil. Rodrigo Chemim, em Mãos Limpas e Lava Jato, apresenta uma investigação que parece um verdadeiro "who's who" das trapalhadas político-administrativas que nos rodeiam. Se você pensou que a corrupção era só um problema do vizinho, prepare-se para descobrir que ela é como aquele parente chato que aparece em todas as festas e você não consegue se livrar.
A narrativa começa com o escândalo italiano da Operação Mãos Limpas, que serviu de inspiração para os nossos amados investigadores da Lava Jato. Aqui, Chemim dá uma aula de história, mostrando como as coisas não mudam tanto assim e que os problemas do Brasil têm um histórico que poderia render umas boas temporadas de série. E, claro, a corrupção, essa artista, é a protagonista!
Em um dos atos mais dramáticos da obra, vemos a maneira como a Operação Lava Jato se desenrola no país, trazendo à tona figuras imortais da política brasileira, como se fossem parte de um grande reality show. A cada capítulo, as revelações vão aparecendo como pipoca estourando na panela: de delações premiadas a investigações, Chemim narra tudo com uma pitada de humor e ironia que faz você se perguntar se poderia haver uma versão cômica dessa tragédia.
E não é só isso! O autor também nos apresenta o reflexo da corrupção nas esferas públicas e sociais, como se fosse um espelho distorcido mostrando a feiura das ações que impactam o dia a dia de cada um de nós. E, aguardem, porque a história não acaba por aqui - vem spoiler! São personagens que não conseguem evitar fazer papel de trouxa e afundar na lama, mesmo sabendo que as câmeras estão ligadas. Todos eles inabilitados para um prêmio de "Melhor Atuação em Crise Política".
Chemim tem um talento para nos envolver na narrativa e nos fazer sentir como se estivéssemos sentados em uma mesa de bar, com uma cerveja na mão, assistindo ao desenrolar do maior espetáculo do Brasil: a corrupção em várias cores. É quase um desfile de Carnaval, mas com a bateria desafinada.
Para concluir, Mãos Limpas e Lava Jato é um convite a rir de um tema que, por mais sério que seja, também merece um pouco de deboche, porque se não rirmos, só nos resta chorar. Se a corrupção fosse uma pessoa, provavelmente estaria dançando no meio da rua, sem saber que todos estão de olho - ou, quem sabe, até dando uma voltinha na esquina para evitar os holofotes da verdade. Assim, prepare-se para absorver esse material riquíssimo, cheio de reflexões e informações relevantes, mas sempre com aquele toque de ironia que faz tudo ficar mais palatável.