Se você achava que as histórias de Franz Kafka já eram um pesadelo, conheça Kafkianas, da talentosa Elvira Vigna, que traz uma pitada de ironia e situações absurdas que fariam o próprio Kafka se perguntar: "O que eu fiz para merecer isso?".
Neste romance, a autora explora as nuances do cotidiano de seus personagens, que se encontram em situações tão bizarras que já não se sabe onde começa a vida real e onde termina a ficção. Emulando o próprio clima kafkiano, Vigna nos apresenta uma história marcada por personagens que vivem em um mundo onde tudo pode dar errado. E, acredite, dá. Pode ser a sua sogra que, ao invés de fazer um bolinho, decide fazer você de bolinho em uma conversa sem fim, ou um cachorro que, por algum motivo, parece ser mais iluminado que os próprios humanos ao seu redor.
A narrativa traz à tona a insatisfação e a angústia da vida moderna, com personagens que se sentem presos em seus próprios labirintos mentais. Temos a protagonista que se debate entre a realidade e suas percepções distorcidas, como um eco de um Gregor Samsa em versão feminina, que se transforma não em um inseto, mas em uma contadora de histórias absurdas. No caminho, encontramos a incerteza e o humor negro que permeiam suas vivências, como um vôo sem destino, onde espera-se que pelo menos sirvam uma água morna.
Spoiler Alert! Em um dos momentos mais impactantes, a verdadeira natureza do absurdo apresenta-se quando os personagens se confrontam com suas próprias decisões. Ao final, os leitores são deixados com a pergunta inquietante: será que conseguimos escapar das armadilhas que nós mesmos criamos? Ou estaremos sempre sujeitos a essa kafkianização de nossas vidas?
Além disso, o texto é um soco na cara da normalidade, revelando detalhes que só um olhar atento (ou um bom otimismo), consegue captar. A cada página, a autora revela um pouco das suas inquietações sobre a vida e o cotidiano. E, mesmo com suas influências claras, o que Vigna propõe vai além do absurdo: é uma reflexão sobre a condição humana, onde o riso e a angústia andam de mãos dadas, como o casal que você veria dançando no meio da praça, aparentemente feliz, mas que, no fundo, só quer se entender.
Em suma, Kafkianas é uma leitura instigante, que proporciona aquele famoso "momento de eu-nunca-vivi-algo-assim" e é perfeita para você que já se sentiu num labirinto sem saída, mas que, ao olhar para os lados, percebe que todos estão levando a vida na mesma vibe estranha. Então, se você está a fim de rir (ou chorar) das complexidades da vida, essa obra pode ser seu novo parceiro de caos. Para os que se aventurarem, lembrem-se: ao entrar no mundo de Elvira Vigna, é melhor deixar as expectativas na porta. Quem sabe você não sai de lá com mais perguntas do que respostas.