Se você já achou que em uma mesa de bar só se falava besteira, você precisa ler O Conformismo dos Intelectuais! Neste livro, os autores, Michel Maffesoli e Helene Strohl, têm uma conversa (ou melhor, uma discussão) sobre o comportamento dos intelectuais e suas ações e reações em um mundo que se transforma a cada instante, enquanto eles insistem em ficar parados no tempo. E acredite, a conversa é bem mais interessante do que o que você ouviria na mesa do bar.
O texto começa expondo a ideia de que, apesar de se autoproclamarem desafiadores e pensadores críticos, os intelectuais acabam se tornando parte de um grande conformismo sociocultural. Em vez de serem os revolucionários da sociedade, eles, na verdade, se tornam seus melhores amigos e defensores, conservando ordens e tradições que todos juravam querer abolir. Spoiler: isso não acaba bem.
Maffesoli e Strohl analisam como esses indivíduos intelectuais, que sempre acham que estão acima da média, na verdade, aderem à mediocridade e àquilo que já está estabelecido. Eles discutem a sociedade líquida de Bauman, mostrando como o conformismo intelectual é uma forma de resistência ao novo. Nada como um intelectual que teme o desconhecido, né? Imagine a frustração de um pensador que não sabe para onde ir, e pior, que se dá conta de que estragar tudo talvez seja o único caminho possível.
A obra também toca na noção de que discursos críticos são muitas vezes clichês e apenas ecoam ideias que já foram mastigadas até a saciedade. É como você ouvir aquele seu amigo que só repete as mesmas piadas, mas você ainda finge rir porque, por algum motivo, ele se acha o comediante da galera. Por isso, Maffesoli e Strohl pedem uma reflexão: será que a função do intelectual é mesmo trazer respostas ou simplesmente garantir seus acreditados status sociais?
Eles ainda aventuram-se por temas como a emergência da nova subjetividade, que seria um grito de "olha que legal! Vamos ser diferentes!", mas na prática só resulta em mais do mesmo. Aquela velha luta entre ser único e ser parte de um grupo poderia ser o título do jogo. No final das contas, o que eles realmente querem é que os intelectuais deixem de ser avestruzes, enterrando a cabeça na areia, e comecem a viver de verdade, ao invés de apenas observar a vida passar.
Por fim, Maffesoli e Strohl fazem um chamado à ação, uma espécie de "vamos acordar, galera!" e nos instigam a seguir um caminho em que a crítica não seja apenas uma museu do passado, mas uma ferramenta viva de mudança. E não se preocupe, a obra toda está embalada em uma prosa que, apesar de séria, não se faz chata. Afinal, quem disse que um texto sobre intelectuais deve ser engessado e maçante?
Então, se você está à procura de um texto que faz piruetas intelectuais e, ao mesmo tempo, te faz sentir que pode e deve pensar fora da caixinha (ou da bolha?), essa leitura é para você. E, por favor, não se esqueça: no fim do dia, não seja um avestruz!