Prepare-se para um passeio aéreo por um dos temas mais fascinantes e, quem diria, cômicos da aviação: a grande briga entre dois homens que, cada um à sua maneira, moveu o céu. Conexão Wright-Santos-Dumont, de Salvador Nogueira, nos leva a mergulhar nas vidas e nas inventividades de dois ícones da aviação: Orville e Wilbur Wright e Alberto Santos-Dumont. E spoiler alert: a rivalidade é tão intensa que parece uma disputa de quem faz a melhor paella, mas no ar, com aviões.
O livro, sem perder tempo, já começa que nem um avião decolando: nos apresenta os irmãos Wright, que em 1903, no meio de um inverno rigoroso, utilizaram um pedaço de madeira e um pouco de engenharia para realizar o primeiro voo motorizado da história. A cena é quase hilária quando você pensa que fizeram isso em um ambiente que mais parecia um filme de terror, rodeados por nevascas e uma falta de gente para aplaudir. Nesse cenário, já dá pra imaginar que não havia media training nem Instagram para registrar o momento.
Entramos então no charme e na bossa do brasileiro Santos-Dumont, que, por sua vez, sempre tinha uma cartola e um olhar que dizia "olhem para mim". Santos-Dumont não só adorava voar, mas também fazia isso com estilo e pompa. Ele era tipo o 'influencer' da época, com seu 14 Bis, que ao contrário dos voos dos irmãos Wright, parecia mais uma obra de arte do que um objeto de engenharia. O livro destaca a relevância de ambas as figuras na história da aviação, mas sem deixar de lado as personalidades únicas que cada um deles cultivava.
À medida que a narrativa avança, Nogueira se diverte com as competições entre esses gênios, que mais pareciam um reality show. Santos-Dumont estava sempre em busca de superar os feitos dos irmãos americanos e, em uma virada digna de uma novela mexicana, eles se revezavam em quem tinha inventado a verdadeira "mágica do voo". Enquanto isso, os irmãos Wright estavam lá do outro lado do mundo, pensando: "o que esse brasileiro está aprontando agora?".
O autor explora ainda a conexão (vejam o trocadilho!) entre os dois, mostrando como a rivalidade não era apenas sobre quem conseguiu voar primeiro, mas também sobre a importância de cada um na construção do sonho de voar. E claro que existe um drama: Santos-Dumont, ao contrário dos irmãos, precisa lidar com críticas e desconfianças, afinal, quem seria esse "aviador" que ultrapassava o limite da imaginação?
E se alguém estava esperando um desfecho meloso, bom, reserve os lenços, porque a história não é "só" sobre vitórias e aplausos. Existe uma reviravolta emocional que faz o leitor sentir que assistiu a um clássico do cinema, com direito a lágrimas e um coração apertado. Spoiler alert: o final não é exatamente um concurso de quem ganhou a corrida; é uma reflexão sobre a luta e a paixão pela aviação.
E assim, com um charme que só Salvador Nogueira consegue, temos uma obra que, entre risos e emocionantes reviravoltas, celebra a vida e as contribuições de dois dos maiores ícones da aviação. Um verdadeiro voo pelas páginas da história que, com certeza, não vai fazer você dormir na aula de História!