Ah, Mel de leão. Essa obra de David Grossman traz uma narrativa que é um verdadeiro desfile de emoções, digna de uma montanha-russa em um parque de diversões, só que sem aquelas restrições de idade e com direito a reflexões profundas. Em suas 136 páginas, somos levados a acompanhar a vida de um menino em uma andança que mistura a inocência da infância com os dilemas do amadurecimento, três coisas que, de modo geral, não combinam, mas que Grossman faz parecer um manto de mel envolvente e bem dosado.
A história começa e, logo de cara, somos apresentados ao menino que, honestamente, parece ter saído de um conto de fadas. Ele têm um jeitinho especial de ver o mundo - suas percepções e experiências são permeadas por um certo ar de melancolia, mas não aquela melancolia de novela das seis, sabe? É uma melancolia que te faz pensar e sentir. A narrativa vai e vem entre o real e o imaginário, e o leitor se vê muitas vezes tentando encontrar o que é real e o que é só uma viagem na maionese da mente criativa do autor.
E se você acha que a vida desse garoto seria um mar de rosas, prepare-se para o tsunami! Sua relação com o pai é recheada de altos e baixos, um jogo de esconde-esconde emocional que faz qualquer um querer dar uma sacudida nesse personagem duplamente complexo. O pai é uma figura imponente, quase um leão (daí o título, que não é só um charme, mas uma entidade que permeia toda a narrativa). Já a relação com a mãe é um pouco mais doce, como um mel mesmo, apesar de todas as dificuldades que a vida lhes impõe.
Então, spoiler alert! Sem dar muitos detalhes para não estragar a surpresa (ainda que o título do livro já tenha dado algumas dicas), a trama se desenrola através de um acidente que muda tudo. Essa reviravolta joga nosso protagonista em um turbilhão de incertezas, emoções e, claro, algumas lições de vida que não são heterodoxas, mas são importantes. Ele precisa confrontar sua realidade e aprender sobre amor e perda, superação e resiliência - as insígnias da vida contemporânea.
O que se destaca de forma vibrante nessa obra é a prosa delicada e fluida de Grossman, que usa metáforas como quem organiza uma festa de aniversário onde todos os convidados são sentimentos e memórias. Ele nos faz sentir, pensar e, claro, eventualmente chorar. É um convite a reviver a infância e passar por um processo de autoconhecimento, ou como diria qualquer guru contemporâneo do desenvolvimento pessoal, "uma jornada".
Por fim, Mel de leão é um livro sobre crescer, e sobre como o mundo pode ser, ao mesmo tempo, doce e amargo. Se você está preparado para um passeio por emoções afloradas, com uma pitada de mel e uma dose de leão, pode pegar esse livro, porque Grossman não decepciona. Afinal, ele nos lembra que, muitas vezes, ter coragem para enfrentar o que temos de mais profundo dentro de nós é o verdadeiro ato de bravura.