Se você acha que a sua vida é cheia de problemas, é porque ainda não conheceu Gilgámesh, o cara que rodou o mundo e viu o abismo (e ainda deu uma de filósofo). A epopeia que leva o título desse livro é uma das mais antigas obras literárias conhecidas, e para a nossa sorte, Sin-leqi-unninni nos trouxe esse épico da Babilônia com todo o drama e emoção!
Vamos resumir as peripécias desse herói que não sabia se queria ser rei ou deixar um legado. Gilgámesh, o rei de Uruk, é um tipo de figura super poderosa, no nível "eu sou lindo, forte e tenho um ego maior que a Torre Eiffel". Mas a vida em Uruk não era inteira de festanças e grito de "Eu sou o melhor", porque o povo estava bem insatisfeito com ele. Ser rei é difícil, ainda mais quando você é um semideus, e a reclamação da galera foi tanta que Gilgámesh resolveu mudar de vida.
Então, o que ele fez? Chamou Enkidu, um amigo pouco convencional que, embora parecesse um homem das cavernas, era mais honesto que a conta de luz (e mais peludo também). Juntos, eles partem numa jornada épica que inclui a derrubada de monstros fabulosos, como o demônio Humbaba, e uma aventura entre os deuses que dá uma reviravolta digna de novela das 9. Spoiler: a batalha contra Humbaba é emocionante, e você quase torce para os dois lados.
Mas, como tudo que é bom (ou não), Enkidu acaba morrendo de uma doença que os deuses decidiram lhe mandar. E aí, Gilgámesh entra numa crise existencial profunda, mais profunda que uma piscina de bolinhas, e começa a dar voltas no questionamento: "O que é a vida? Será que o jeito é ficar rico?", nesse ponto, o personagem parece mais com um adolescente tentando descobrir a própria identidade. Ele decide que precisa encontrar Utnapishtim, o único mortal que ganhou a imortalidade (por ter sobrevivido a uma enchente, e não por ter tomado a vitamina do Hulk).
E aí começa uma jornada cheia de ensinamentos, onde o rei encontra várias figuras carismáticas, como Siduri, a deusa da vinícola, que lhe ensina a aproveitar a vida e não ficar só pensando na morte. Porque, né, a gente pode se divertir um pouco antes de ir para o espaço, não é mesmo?
Finalmente, Gilgámesh descobre que a imortalidade não é tão acessível assim e que o verdadeiro legado é viver bem e ser lembrado de forma agradável (nada de ser o rei que gostava de chá de cadeira). Ele volta para Uruk com toda a sabedoria adquirida e, claro, para regozijo do povo, que até pode ser que não tenha sentido saudade dele, mas estava mais feliz por não ter que ouvir mais suas gracinhas de rei.
No fim das contas, a Epopeia de Gilgámesh é uma mezcla de aventuras, amizade, perda e de como a vida, apesar das suas tragédias, pode ser aproveitada. Então, se você se sente perdido na vida, talvez dar uma olhadinha na história desse rei que não desistiu de buscar sentido, mesmo que isso significasse quase se afogar no mar da decepção, seja uma boa ideia. Afinal, entre ter 20 mil conquistas e uma boa conversa com um amigo, fica a lição: valorize o que realmente importa, que a imortalidade já é um sonho de outros tempos!