Se você achava que a história era um tédio e se limitava a datas e batalhas, prepare-se para mudar de ideia! 1808, de Laurentino Gomes, é como uma novela de época recheada de intrigas, escândalos e, claro, alguns personagens que parecem saídos de um galpão de carnaval. O enredo gira em torno da transferência da corte portuguesa para o Brasil em meio às invasões napoleônicas. E como isso tudo começou? Bom, tudo começou com uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta, mas isso é pano para manga, ou melhor, para um baita resumo.
No início do livro, você conhece Dona Maria I, a rainha que, diga-se de passagem, não estava bem da cabeça. Era a tal "rainha louca" que, entre gritos e delírios, decidiu que Portugal não deveria cair nas garras de Napoleão. Mas realizar essa missão não seria fácil. Assim, a família real e toda sua corte, que a gente pode chamar de "os parasitas oficiais" da época, decidiram fazer as malas e cruzar o Atlântico. A viagem para o Brasil não foi nada glamourosa, e já adiantamos que os conflitos internos da família e os esquemas de corrupção estavam a todo vapor.
Com o pé em terras brasileiras, o príncipe regente Dom João VI, o famoso "príncipe medroso", hesita entre se mostrar um líder forte ou fugir para o primeiro navio rumo a Portugal caso as coisas fiquem complicadas. Ele acaba se decidindo pelo "ficar" e, vamos ser sinceros, a inércia dele não é a melhor matriz para um líder. A Corte, por outro lado, aproveita a nova terra cheia de riquezas e decide que é hora de viver regalias à custa do Brasil. É a clássica história de que, quando se tem poder, a indolência é a regra.
A obra retrata ainda a Bahia e suas revoltas, onde a população, sentindo-se um pouco lesada pelas benesses da chegada da Corte, logo fez, como diriam os jovens, um "bafafá". E a revolução estava no ar, junto com a confusão do novo governo que não sabia se deveria centralizar o poder aqui ou lá em Lisboa. Portanto, imagina a farofa que virou essa história toda. E assim, Laurentino Gomes vai desenrolando os acontecimentos de maneira leve, num estilo que mistura narrativa histórica com doses generosas de ironia.
Spoiler alert: ao longo do livro, você vai descobrir que a presença da Corte não trouxe apenas problemas, mas também sementes de mudanças políticas que culminariam na independência do Brasil. E claro, ver a rainha e seu príncipe enfrentando a própria loucura enquanto tentavam governar de longe... É um escopo que poderia muito bem ser uma série de TV!
No geral, 1808 é uma deliciosa aventura pela história. Laurentino Gomes não só nos faz rir ao descrever os percalços de uma rainha lunática, mas também nos ensina a entender como eventos aparentemente pequenos podem ter um impacto colossal na formação de um país. Então, se você estava achando que história não era com você, talvez esteja na hora de revisitar essa ideia, porque, meu amigo, a realidade é muito mais interessante que qualquer ficção!