Você já se perguntou como soam as vogais de um brasileiro tentando falar espanhol? Se sim, Interfonologia vocálica de aprendentes brasileiros de espanhol como LE é o livro que vai responder suas curiosidades, ou pelo menos atormentar sua vida com detalhes técnicos. Os autores José Rodrigues de Mesquita Neto e Maria Suedna Delmiro decidem colocar a fonética em jogo e, adivinha só, tirar ondas sonoras do seu lugar comum!
Neste leve e descontraído estudo (sim, estou sendo irônico), os autores mergulham de cabeça nas características acústicas e articulatórias das vogais que florescem nos lábios de brasileiros aprendendo espanhol. Como isso é relevante? Bem, imagine você se embrenhando nas nuances que fazem a produção vocal um verdadeiro espetáculo, ou um fiasco, dependendo do seu desempenho na aula de idiomas.
Os autores analisam as vogais de falantes de português que tentam dominar o espanhol como Língua Estrangeira (LE). Aqui, o foco é a comparação das formas como as vogais são produzidas nos dois idiomas. Eles se unem a técnicas acústicas (desculpe a frieza do termo, mas sim, é tudo ciência) e registros articulatórios, como quem quer entender se a pessoa está apenas tentando se fazer entender ou realmente está mandando bem no "Hola, ¿qué tal?".
Uma parte essencial é visualizar como a articulação e a acústica se inter-relacionam. Spoiler alert! Você descobrirá que certos sons podem fazer com que sua frase em espanhol pareça mais com um alegro samba do que com uma suave balada de Juanes. Afinal, deixar cair a vogal ou pronunciar um 'e' com um sotaque diferente pode transformar "mesa" em "mêsa". O que, vamos concordar, não é exatamente o que você deseja ao pedir uma mesa em uma taberna.
O livro corre bem por questões técnicas, com gráficos e dados mostrando os resultados das análises feitas nos aprendizes. É quase como um reality show, onde você poderá sentir na pele a emoção dos lábios contorcendo-se e a língua fazendo malabarismos. O mapeamento dos sons reflete o impacto da primeira língua (conhecida também como português) na produção vocal no espanhol. Ou seja, se você acha que a língua é linda - pode achá-la uma tragédia quando mal articulada.
Além disso, os autores não se esquecem de mencionar o carrasco que é a sonoridade de algumas vogais, expondo a diferença de timbres e porque alguns brasileiros parecem falar espanhol como se estivessem tentando passar um trote. O capítulo final tem um tom quase de desespero: como contornar essas dificuldades? Para a alegria dos leitores, algumas dicas são oferecidas, mas não esperem um glamour. É tudo no estilo "treine, repita e tente de novo, quem sabe na próxima você não sofra menos".
O desafio, como sempre, é a prática. E quem se atreve a botar o pé na estrada? Afinal, o aprendizado de uma nova língua é uma viagem cheia de curvas e atalhos. Em resumo, Interfonologia vocálica é um convite para rir das dificuldades e, claro, para ver o trabalho dos autores dando muito o que falar (ou melhor, cantar!).
Se você precisa de um pouco de técnica misturada com humor, esse livro pode ser o que você precisa. Mas, aviso aos navegantes, se você estava esperando uma leitura leve e descomplicada, talvez seja hora de mudar de prumo e pegar um romance espanhol.