Prepare-se para uma viagem pelo mundo poético e um tanto peculiar de O Moribundo Cysne do Vogura, do ilustre Francisco Joaquim Bingre. Aqui, as palavras dançam, mas com um leve toque de dramaticidade, porque, convenhamos, o cisne está morrendo, e isso é tudo menos alegre.
O livro, na verdade, é uma colagem de algumas das melhores peças de Bingre. Para quem não sabe, ele é um poeta que, se estivesse vivo hoje, provavelmente estaria postando suas obras no Instagram com a hashtag #PoetaTrágico. A coletânea inclui desde sonetos carregados de lirismo até algumas poesias que parecem mais diálogos de bar entre amigos bêbados discutindo a vida e a morte.
A primeira parte do passeio nos apresenta um cisne - sim, ele mesmo - que, entre um sonhar e outro, reflete sobre a efemeridade da existência. O tal cisne, embora moribundo, não perde a classe. Afinal, nós sabemos que um cisne nunca se deixa vencer pelas circunstâncias, mesmo que elas sejam a morte. É como um reality show onde o participante mais dramático não desiste de fazer seu papel, mesmo no último episódio.
Em seguida, somos agraciados com uma série de poemas que flertam com a melancolia, a beleza e a transitoriedade das coisas. Bingre, com sua pena afiada, discorre sobre amores perdidos, a natureza que se despede e todo aquele drama que a gente ama, mas não admite. É um desfile de metáforas que se estendem como um tapete vermelho para os sentimentos.
Dentre as peças, encontram-se poemas que parecem gritos de socorro, clamando por um sentido na vida. Spoiler: a resposta nunca vem, e o leitor acaba se perguntando se não deveria ter escolhido um livro de receitas ao invés dessa coletânea de sofrência.
A linguagem utilizada por Bingre é um verdadeiro passeio no parque da língua portuguesa. Ele consegue mesclar um lirismo envolvente a elementos que chegam a ser cômicos, caso não estivéssemos falando de um cisne em estado terminal. É como se o autor quisesse nos lembrar que, mesmo no fundo do poço, a gente pode rir da tragédia.
E, por fim, a obra encerra com uma reflexão: será que o cisne realmente está morrendo ou, na verdade, é só mais um dos seus dramas? A real é que o livro é uma grande aula de como se despedir com estilo, deixando uma pitada de ironia no ar e um desejo de que o leitor pense: "ah, a vida é mesmo uma comédia - e nós estamos todos apenas esperando o nosso grande número".
Em resumo, O Moribundo Cysne do Vogura é uma coletânea cheia de lirismo, drama e, por que não, um pouco de humor negro. Não espere respostas fáceis, mas venha preparado para rir do seu próprio moribundo cisne.