Se você já se deparou com aquele seu tio avô que insiste em contar histórias absurdas sobre a vida no campo, saiba que Mentiras Caipiras, de Mario Bag, é o céu e o inferno de tudo isso! Em um compêndio de relatos que beiram o surreal, o autor oferece um tour cômico pelo universo caipira, onde cada página é uma oportunidade de rir (ou se desesperar) com as desventuras dos personagens.
Primeiro, vamos falar sobre as mentiras, porque aqui as coisas começam a esquentar. As histórias que Mario compartilha são cheias de exageros e, claro, um toque de ironia que só o interior pode proporcionar. Cada relato é como uma boa prosa de boteco, onde a caipirice é levada ao pé da letra e tudo é possível: um peão que enfrenta uma vaca feroz, uma lagoa que se torna uma pista de dança e até mesmo uma cobra que se acha o rei da cocada preta.
Os personagens são uma galeria de figurinhas cômicas. Temos o Zé, o típico caipira que adora um desafio, mas ao mesmo tempo desconhece o que é uma vidraça na janela. E a Maria, que acha que seu gato é o grande sábio da aldeia. Essas personagens carregam com elas as mentiras que, embora inverossímeis, fazem parte daquela tradição oral que é quase como um beijo na testa de um amigo: afetuoso e, por que não, um pouco enganador.
Cada narrativa é uma lava-jato de imaginação, onde o autor não tem medo de colocar as mãos na massa e criar cenários que fazem você coçar a cabeça e pensar: "será que isso realmente aconteceu?". E, claro, isso tudo é recheado com ditados populares que são como tempero para a história. "Cada um com suas sardas", por exemplo, ganha vida nesse universo, mostrando que aqui a sabedoria da roça e da humildade estão sempre em alta na conversa.
E olha, se você está pensando que o livro se esgota em piadas e situações inusitadas, prepare-se! A obra também carrega uma crítica sutil - e não tão sutil assim - à sociedade moderna, refletindo sobre como nossas raízes estão entrelaçadas com as modernidades que tentamos viver. No fundo, Mario Bag dá um tapa com luva de pelica, chamando a gente a não esquecer de onde viemos, mesmo que o caminho esteja cheio de mentiras.
Sem spoilers, porque, convenhamos, quem precisa de um aqui? O verdadeiro presente está nas páginas e na capacidade do autor de nos fazer rir e refletir, tudo isso enquanto você se pergunta se já passou pela mesma situação em um bar. Portanto, não perca tempo e se jogue nessas mentiras caipiras, porque a risada, meu amigo, é sempre a melhor companhia!