Ah, As Viúvas de Eastwick! Uma obra que poderia ser chamada de "As Três Bruxas de Eastwick", se não fosse por esse nome todo pomposo de Updike. Aqui, em vez de vassouras e poções mágicas, encontramos uma mistura explosiva de feminismo, poder e um toque de feitiçaria, muito embora a única coisa que está realmente sendo fervida é o tempero das intrigas sociais.
A história se passa em Eastwick, uma cidade aparentemente pacata, mas que esconde mais segredos do que você poderia imaginar, mesmo que pareça mais um cenário de filme dos anos 80. O trio de protagonistas - Alexandra, Jane e Sukie, que mais parecem uma versão moderna das bruxas de Salem, mas sem a fogueira - se vê em um enredo que mistura magia, sexo e uma boa dose de machismo. Aliás, elas têm muito a ensinar a esses maridos enfadonhos que só servem para atrapalhar a vida delas.
Essas três mulheres, em um momento de tédio extremo e, claramente, uma overdose de cafeína, começam a descobrir o poder que possuem e como isso pode ser usado para um bem muito pessoal (ou nem tanto). Imagine que você tem a capacidade de mexer com a mente dos homens a seu redor. É, meus amigos, um espetáculo! E, como toda boa história de bruxas, elas acabam atraindo um forasteiro que, no lugar de uma carruagem, chega em um conversível brilhante e de olhos penetrantes. Dá-lhe apostador alienígena!
Esse forasteiro, Daryl Van Horne - que parece ter saído de um catálogo de homens perigosos - conquista as três com seu charme e promessas de liberdade e prazer. Ah, a sedução do desconhecido! As Viúvas rapidamente se rendem ao seu magnetismo, mas isso só piora as coisas e as transforma em verdadeiras catástrofes sociais. Entre um escândalo e outro, elas acabam se metendo em várias confusões que vão de boatos sussurrados até atos muito mais sombrios.
Spoiler Alert! Se você pensou que haveria um desfecho tranquilo, permita-se sorrir: ao final, o vilão não é quem parece ser, e as viúvas têm que se confrontar com suas próprias escolhas e o poder que conquistaram, que, a essa altura, parece mais uma faca de dois gumes. O que elas ganham? Um empoderamento crucial, mas, como toda boa história, também traz seus riscos e efeitos colaterais.
A narrativa de Updike é bem humorada, irônica e, ao mesmo tempo, mordaz. Ele conduz os personagens por um caminho de descoberta e questionamento sobre o que significa ser mulher em uma sociedade que adora policiar suas ações. Mesmo no luto pela morte dos seus casamentos (ou, vá lá, relações de conveniência), elas se reinventam e enfrentam suas angústias de maneiras nada convencionais.
No fundo, As Viúvas de Eastwick é um lembrete de que o patriarcado pode se sentir seguro, mas isso nunca é garantido quando se tem três mulheres decididas a se libertar das correntes que tentam prendê-las. Com um toque de magia, um pouco de romance e bastante ironia, Updike diverte, critica e provoca, tudo ao mesmo tempo. E, cá entre nós, quem não gostaria de ser uma bruxa num mundo tão sem graça?