Ah, Matei Minha Mãe, o título que já entrega que a obra não é um conto de fadas, mas sim um verdadeiro drama psicológico recheado de uma certa dose de humor ácido. O livro é narrado pelo protagonista, que, para nossa alegria (ou desespero), não está exatamente no seu "dia de sorte". Spoiler: a relação entre ele e sua mãe é daquelas que só o Dr. Freud poderia tentar explicar, mas aqui o autor faz questão de colorir essas tensões com um pouco de sarcasmo e ironia.
O enredo gira em torno do personagem principal que, em meio a uma crise de identidade típica da idade adulta, revela que fez algo terrível e, acredite, não foi simplesmente não ligar para a mãe no Dia das Mães. Não, meu caro leitor, é muito mais impactante que isso. Enquanto o protagonista remexe em suas memórias, ele desvenda os desdobramentos de uma relação que poderia facilmente ser o tema de uma série de reality show em que ganharíamos mais visibilidade se mostrássemos um pouco de autoajuda, mas aqui estamos mais para um drama e uma boa dose de reflexões.
A narrativa também se aprofunda na solidão e nas frustrações da vida cotidiana, trazendo à tona um subtexto que faz o leitor pensar se a estrutura familiar não deveria ter um manual de instruções. O personagem se vê em meio a crises existenciais e ponderações que vão desde o valor de um café da manhã em família até o que realmente significa "mãe" em nossa sociedade. Esses momentos, apesar do peso, são temperados com uma boa pitada de humor que faz você dar aquela risada nervosa, afinal, quem nunca se pegou pensando "ah, se eu pudesse desabafar com um terapeuta sobre isso?".
Conforme a história avança, há uma clara construção dos conflitos e das emoções que vão sacudindo a relação mãe e filho. Anderson Felix nos leva por um passeio montanha-russa de sentimentos que mistura raiva, culpa e até mesmo um pouco de amor. E sim, se você estava esperando que todo este drama terminasse com um "final feliz", já posso te adiantar que o autor não está dando indicações de que tudo se resolverá de maneira tradicional.
Além disso, Matei Minha Mãe explora a vida com uma linguagem que é, por muitas vezes, cruel e honesta. A falta de filtros do protagonista faz com que as páginas do livro sejam como uma conversa com um amigo bem próximo (ou um terapeuta bem pago) que não tem medo de dizer as coisas como são. As reflexões sobre a sociedade e o papel da maternidade são profundas, mas também são envoltas em um manto de ceticismo e desilusão que faz o leitor rir enquanto reflete sobre a realidade.
E, caso você esteja se perguntando, sim, o título é uma hipérbole. O autor não está falando literalmente sobre um crime, mas sim sobre a constante batalha interna que muitos enfrentam em suas relações familiares. É uma crítica à complexidade do amor, um lembrete de que nem tudo são flores, e que as relações familiares frequentemente vêm com seus próprios fantasmas interiores.
Então, prepare-se para uma leitura que vai te colocar em um turbilhão de emoções - com direito a reflexões sobre a vida e a boa e velha confusão que todos já sentimos. E lembre-se, se a sua relação com a sua mãe é um pouco semelhante à do protagonista, pode ser hora de um encontro familiar, ou talvez apenas um bilhete para lembrar que cada um tem sua história, cheia de dramas e desventuras.