Se você pensou que 2020 foi um ano pra lá de complicado, só dá uma olhada na história da Zika no Brasil, narrada pela autora Ilana Löwy. Este livro é como um documentário que foi parar nas páginas de um livro, cheio de fatos interessantes (e às vezes preocupantes) sobre a epidemia que fez a gente revirar os olhos e se perguntar: "o que mais pode acontecer?", como se fosse um episódio de série que não acaba nunca.
A obra começa como uma espécie de manual do mosquito, explicando a origem do vírus Zika, aquele que se tornou o "queridinho" das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Löwy faz um passeio histórico, como um guia turístico, mas no lugar de pontos turísticos, a autora nos mostra os pontos de infecção, as consequências e as reações das autoridades. E já começamos bem: a Zika é como um primo distante que aparece inesperadamente na festa e acaba chamando a atenção de todo mundo por causa de um drama familiar, no caso, as malformações congênitas, como a microcefalia.
A autora nos embrenha na história da reconhecimento e resposta a este vírus, mostrando como o sistema de saúde ficou em uma verdadeira dança das cadeiras ao tentar se adaptar à nova epidemia. Entre gafes e acertos, fica claro que o Brasil não estava bem preparado para essa invasão de patógenos que, a propósito, não pediu licença.
Avançando nas páginas, Löwy não se esquece de falar sobre a cultura do medo e da informação. Em um mundo onde notícias se espalham mais rápido que o próprio vírus, a autora discute como a mídia tratou o assunto e a maneira como a sociedade reagiu. E, claro, não faltam referências aos mitos e verdades sobre a Zika que surgiram como cogumelos após a chuva, tornando a epidemia uma verdadeira aula de combate à desinformação. Fica a dica: quem não gosta de informações precisas, que se esconda debaixo da cama.
Outro ponto interessante é o desdobramento social da epidemia, com a autora trazendo à tona os dilemas enfrentados pelas mães e a luta pela saúde dos filhos. O livro aborda questões éticas, políticas e sociais de maneira bem-humorada, mas incisiva. É aquela história de que não se pode chorar sobre o leite derramado, mas o leite da vida de muitas mães estava sendo derramado sem dó nem piedade.
E, se você acha que esse livro é só tragédia, relaxa! A narrativa de Zika no Brasil é uma mistura de faroeste e comédia, onde a autora sabe balancear a gravidade do tema com uma leveza que faz a leitura fluir. Não espere um final feliz, mas pelo menos você vai sair com uma boa bagagem de informação e algumas risadas (além de dúvidas se você realmente quer dar as boas-vindas a mais um vírus).
Em resumo, se o coronavírus e as vacinas estão em pauta agora, Zika no Brasil é um lembrete do que já passamos e de como as epidemias podem se tornar personagens centrais em nossa história. Então, fica a mensagem: fique de olho nos mosquitos, porque eles podem ter mais drama do que você imagina!