Se você achava que a formação de uma nova geração de artistas jovens em São Paulo na década de 1980 era só mais uma balada com referências pop, talvez esteja na hora de reconsiderar seus conceitos! No Calor da Hora, de Tadeu Chiarelli, é um verdadeiro dossiê que mergulha nas mentes e nos corações de uma galera que, com muito fervor e tinta na cara, contribuiu para a efervescência artística da época.
Primeiro, vamos colocar os pingos nos is: a década de 1980 não foi apenas sobre ombreiras e músicas sobre libertação. Chiarelli, nesse livro, faz um levantamento de quem eram esses jovens talentos, quais suas influências e, claro, como tudo isso se entrelaçava em um caldo criativo fervente e, às vezes, até caótico. Se você acha que o conceito de "jovem artista" é algo que nasceu com a internet, é hora de levar uma chinelada na cara e aceitar que esses artistas já estavam quebrando normas e inovando muito antes do advento das redes sociais.
O autor dá uma geral em movimentos artísticos, grupos e exposições que marcaram a cidade. Ele apresenta o que estava rolando nas áreas de artes plásticas, cena teatral e música, tudo isso com um toque de crítica social e política. A frase "você já viu isso antes?" nunca foi tão pertinente, pois as influências variam do surrealismo ao punk rock, traçando um retrato multifacetado do que aconteceu em Sampa. E quem diria que os encontros de artistas eram mais disputados que show de rock?
Entre os grupos que ganharam destaque, temos os artistas que se destacavam pela novidade e pela ousadia. Ah, os jovens! Cheios de ideias e prontos para contestar tudo, a começar pela maneira como a arte era percebida. O calor do momento também traz a discussão sobre a liberdade de expressão e como essa busca por voz se demorou um pouco mais para ser aceita pelo público, que ainda estava em choque com a nova realidade pós-ditadura.
Chiarelli não se priva de dar nomes aos bois. Ele destaca figuras chave no cenário, como artistas visuais que foram verdadeiros ícones da época. O autor apresenta entrevistas, análises e, claro, muitos exemplos do que estava acontecendo de mais audacioso. Tudo isso torna o livro uma verdadeira cápsula do tempo, uma viagem que faz você sentir que estava lá, assistindo ao culto de arte mais fervoroso da história.
Nos últimos capítulos, com um toque ligeiramente nostálgico, o autor sugere que a década de 1980 foi uma espécie de laboratório criativo. Uma época que fez os jovens artistas olharem não apenas para o Brasil, mas também para o exterior, em busca de novas referências. Mas, é claro, se você só quer saber de modinha, é melhor pegar o Spotify e ouvir aqueles hits que estouravam nas paradas da época. Aqui, o papo é sério!
Em resumo, No Calor da Hora é mais do que um dossiê; é um convite (não tão sutil) para refletir sobre como a arte pode ser um reflexo de uma sociedade em transformação. E lembre-se: enquanto você critica a aparência de um artista, pode ser que ele esteja prestes a criar a próxima grande obra-prima. E o que definitivamente NÃO vai faltar em seu conhecimento é entender que a arte tem suas raízes nas experiências, nas revoltas e, claro, em muito talento.