Se você já parou para pensar que talvez esteja só brincando de ser gente e que a realidade é uma grande piada cósmica, então o livro Autoengano, de Eduardo Giannetti, vai ser um passeio interessante por essa montanha-russa emocional chamada vida. O autor é um verdadeiro guia nessa aventura de entender como a gente se engana para viver bem (ou pelo menos continuar sobrevivendo sem se matar de raiva).
Giannetti mergulha na psicologia do ser humano para explorar a arte do autoengano, um conceito que pode ser resumido em "se enganar é uma técnica de sobrevivência". Basicamente, é como jogar Pac-Man da vida: você come as bolinhas (ou diz que vai no ginásio), enquanto se desvia dos fantasmas (suas inseguranças, medos e aquela fatura do cartão de crédito que você preferia ignorar). O autor argumenta que, de certa forma, todos somos mentirosos profissionais em algum nível. A boa notícia? É legal ser assim, pelo menos na maioria das vezes.
Dentre os tópicos que o autor aborda, temos a necessidade de narrativas. Giannetti fala sobre como construímos histórias para dar sentido às tragédias e comédias da vida. Ele discute a nossa habilidade mágica de transformar experiências traumáticas em histórias onde somos os heróis. Quem não gosta de um bom drama, não é? Em um momento você está na lama, e no outro está contando sobre como superou aquilo numa roda de amigos, com um copo de uísque na mão, rindo da própria desgraça.
Um ponto que o autor não deixa escapar é que o autoengano pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição. Enquanto alguns enganos são inocentes e nos ajudam a passar pelos percalços da vida, outros podem nos levar a grandes fiascos, como se enganar achando que você pode fazer uma maratona sem treinar. Spoiler: a realidade vai dar uma rasteira em você!
Além disso, ele também faz uma crítica elástica ao mundo moderno e suas exigências. A pressão social para estar sempre "direto" e "em forma" faz com que estejamos constantemente em modo de autoproteção, criando muros de engano que, quem diria, até nos protegem de um ou outro triste confronto com a realidade. Você se sente reconhecido? Relaxa, você não está sozinho.
Ao longo da leitura, Giannetti utiliza uma linguagem acessível e irônica, que faz o leitor rir enquanto questiona suas próprias escolhas e percepções. Em um dos trechos mais divertidos, ele sugere que, se a vida fosse mais justa, os "autoenganadores" teriam prêmios, talvez como aqueles que se ganham em sorteios de feira - só que um pouco menos lúdicos e um pouco mais... enganadores.
Em resumo, Autoengano é uma reflexão sobre a habilidade que temos de nos iludir, que, convenhamos, é um traço profundamente humano. Se você busca entender um pouco mais sobre por que faz o que faz (mesmo que esse algo seja ignorar a quantidade de pizza que comeu), este livro é uma boa pedida. Prepare-se para rir, refletir e, quem sabe, encarar alguns fantasmas!