Se você está pensando em dar uma rápida voltinha pelos submundos da teologia e da filosofia, Paraíso Perdido é uma boa pedida! E se está achando que vai ser um passeio leve e divertido como uma comédia romântica, melhor já se preparar para o drama pesado, porque estamos falando de um épico do século XVII, onde a única coisa que brilha mais que o sol é a tragédia.
O livro começa com o agora famoso (e barulhento) David Guetta das trevas, o diabo, que, após uma demorada reunião com o seu não tão querido primo, Adão, e uma ganância desmedida por ser o chefão do céu, acaba expulso do Paraíso. Para ele, isso foi como perder a última fatia daquele bolo que você estava de olho, mas na verdade foi uma benção disfarçada, ou algo que vale uma reflexão em grupo.
Enfurecido, ele jurou que iria fazer a vida de Adão e Eva um verdadeiro inferno. Afinal, se ele não pode ter o doce, por que não descer a lenha no moralismo alheio? E assim, Satanás, o ex-arcanjo mais malvado de todos os tempos, toma a decisão de entrar no famoso Jardim do Éden. Esse lugar é como um Instagram da época: perfeito, cheio de filtros, e a última coisa que você quer fazer é estragar a vibe.
Uma parte do livro é dedicada à narração das desventuras do diabo, enquanto ele tenta plantar a sementinha da desobediência com a ajuda de uma serpente bem carismática - que mais parece ter saído de um filme de terror barato. Juntos, eles enganam Eva, que, após algumas conversas deliciosamente manipuladoras, acaba comendo a maçã do conhecimento. E, claro, como uma boa mãe chocadeira, Adão não poderia deixar sua amada desamparada, e, em um ato de "amor", decide acompanhar a namorada no pecado. Spoiler: esse é o momento em que eles ganham o título de Primeiros Pecadores da história!
Os resultados dessa decisão? O Paraíso perde seu brilho e a humanidade, que já estava começando a se sentir no maior glamour, acaba expulsos daquele lugar maravilhoso. Uma verdadeira reviravolta onde o happy hour se transforma em happy hours. Em vez de dançar entre flores e frutas, Adão e Eva agora têm que lidar com espinhos, suor e toda a rotina "nossa de cada dia". Ah, e não podemos esquecer da famigerada morte. Afinal, quem precisa daquela soneca relaxante na sombra da árvore quando você agora tem que se preocupar com a colheita?
E se você pensou que a história acaba por aí, está redondamente enganado! Milton usa as desventuras de Adão e Eva para tecer reflexões sobre a liberdade, o livre-arbítrio e até mesmo a relação entre homem e Deus. Sim, é um verdadeiro tratado filosófico disfarçado de tragédia bíblica. Você vai se sentir em uma aula de história, mas tipo aquelas aulas bem chatinhas que nós todos já tivemos, só que aqui a prova final é sobre Pecado Original e a queda da humanidade. Cínico, não?
A obra é cheia de poesia e deixa um gostinho amargo de que nossas escolhas têm consequências. E não importa se você é a serpente, Adão, Eva ou mesmo um anjo perdido, sempre haverá alguém marcado pela culpa.
Então, já está preparado para mergulhar no mundo poético e turbulento de Paraíso Perdido? Garanto que você não vai se arrepender, mas talvez queira dar uma olhadinha na sua vida e nas suas escolhas antes de começar a leitura! Não que eu esteja dizendo que você é o novo Adão, mas cuidado com as maçãs, ok?