Se você acha que as festas de aniversário do seu tio que não sabe dançar são animadas, prepare-se para descobrir "MARDA: Vistas etnomusicológicas sobre a festa da menina de Ashenda em Tigray". Este livro, escrito pelo etnógrafo Mebrahtu Weldemariam, é como o guia turístico que você nunca soube que precisava para a festa mais importante da cultura tigrina.
O que é essa tal de Ashenda?
Ashenda é uma festividade que acontece, em grande estilo, para comemorar a passagem da adolescência das meninas na região de Tigray, na Etiópia. E aqui, a festa não é apenas sobre bolo, velas e "parabéns pra você", mas um verdadeiro espetáculo de tradições musicais, danças e celebrações que fazem você se perguntar se o seu último aniversário foi realmente uma festa. O autor investiga como essa celebração não só traz alegria, mas também possui uma carga social e cultural que é digna de estudo.
Um mergulho etnomusicológico
Mebrahtu mergulha fundo na etnomusicologia, que, para os menos familiarizados, é o estudo da música dentro de seu contexto social e cultural. Portanto, ele não está simplesmente fazendo uma pesquisa do tipo "descreva a música da sua avó em três palavras", mas sim explorando como a música e a dança são intrínsecas às celebrações e à identidade das jovens tigrinas. Ao entender as canções, os ritmos e as danças, ele revela como esses elementos são essenciais para a construção da identidade feminina, aprimorando a percepção cultural.
As danças e a música como formas de expressão
Durante a festa de Ashenda, as meninas não só dançam; elas exercem um papel ativo na sociedade, expressando suas esperanças e desafios através da música. Weldemariam destaca as músicas que têm o poder de passar mensagens de força e solidariedade entre elas, numa espécie de "clube da luta feminina", mas sem as luvas e com muito mais ritmo.
Reflexões sobre identidade e gênero
O autor ainda faz um bom trabalho em discutir temas de identidade, gênero e a posição das mulheres na sociedade etíope contemporânea. É um verdadeiro tira-teima sobre o protagonismo feminino, onde a música se torna uma ferramenta de resistência e empoderamento. A festa é um espaço de liberdade onde as meninas podem (finalmente) tirar um dia para serem elas mesmas, longe das regras chatas do cotidiano.
Considerações Finais
"MARDA" não é só um livro sobre música e dança, é uma verdadeira celebração da identidade e da cultura etíope. Weldemariam nos convida a entender que cada batida e cada passo dado durante a festa é uma forma de contar uma história - e que, sim, nós precisamos prestar atenção nessas histórias.
Então, da próxima vez que você se pegar dançando numa festinha de família, lembre-se que até as festas têm muito a ensinar sobre a cultura e a identidade. Quem diria que um livro sobre uma festa poderia ser tão revelador e cheio de informação valiosa? É isso aí, leitores, agora com licença que vou ensaiar a minha dança de Ashenda no quintal!