Neste livro com um título que já nos faz sentir um leve desamparo só de ler ("Psicanálise em face ao desamparo e seus destinos"), os autores mergulham em uma análise profunda sobre a condição humana, mostrando que todo mundo, em algum momento da vida, já se sentiu como um gato que não sabe se entra ou sai de casa. Uma verdadeira montanha-russa de emoções e conceitos psicanalíticos, que poderia muito bem ser a trilha sonora de uma terapia coletiva.
Os autores começam falando sobre desamparo. E aí você pensa: "Uau, que original!" Mas, não se engane, aqui o desamparo não é só uma frase de efeito de quem não sabe o que fazer da vida. O desamparo é discutido em suas inúmeras nuances, sempre com uma pitada de Freud, que provavelmente teria se divertido bastante com tudo isso se estivesse vivo e não tão ocupado com seus próprios fantasmas. Eles apontam que o desamparo pode ser uma condição fundamental da existência humana, quase como a conta no cartão de crédito que nos faz sentir que nunca estamos realmente livres.
Seguindo pela narrativa, a obra também se debruça sobre as consequências dessa condição na vida das pessoas, tratando de temas que vão desde a formação da subjetividade até as interações sociais. Em um momento que parece quase uma conversa de bar entre amigos psicólogos, eles dissecam como o desamparo pode levar à busca pelo apoio do outro, ou como pode fazer a pessoa se esconder debaixo da cama com um pacote de biscoitos, em um autêntico caso de "comer para não chorar".
Outro ponto digno de nota é a análise dos destinos do desamparo. Aqui, os autores se mostram mais ágeis que um psicanalista em uma sessão de terapia de grupo. Eles discutem as possibilidades de o desamparo gerar tanto um crescimento pessoal quanto um surto de fúria interior. Afinal, quem nunca teve um dia em que tudo parecia dar errado e a única solução era gritar "Todo mundo é insuportável!" no meio da sala de aula ou do trabalho?
A obra traz também discussões sobre como a psicanálise, além de entender essas questões, pode ajudar o indivíduo a lidar com sua vulnerabilidade. Os autores não só falam sobre a importância do autocuidado como também trazem à baila a necessidade da construção de vínculos afetivos e de um espaço seguro para a expressão da dor, o que parece razoável, já que esconder os sentimentos em um potinho não costuma funcionar a longo prazo (ainda mais se você não lembrar onde guardou o potinho).
Ao longo do livro, há um cuidado em não cair na armadilha das fórmulas prontas - frase feita que muitos adoram. A ideia é discutir, problematizar e, quem sabe, até dar boas risadas, porque um pouco de humor faz bem, e a psicanálise (ou qualquer terapia, para ser justo) não pode ser um fardo tão pesado.
O livro é como um bom amigo no momento da crise: ele te ouve, te faz refletir e, no final, te dá algumas dicas úteis sobre como lidar com os infortúnios da vida. No meio disso tudo, fica a certeza de que o desamparo é parte da jornada humana e, embora os autores pareçam dar a entender que podemos chegar a bons destinos a partir dele, quem sabe, ainda é uma grande aventura da vida.
Se você está à procura de um tapa na cara emocional ou uma reflexão profunda sobre a condição humana (acompanhada de boas risadas), "Psicanálise em face ao desamparo e seus destinos" vai te oferecer mais insights do que você pode imaginar. E lembre-se: na psicanálise, assim como na vida, nem tudo é linear - mas, definitivamente, tudo é extremamente interessante.