Se você achou que "Peter Pan" era só aquele menino que não queria crescer e voava com uma mão cheia de pó de fada, prepare-se, porque Pedro Bandeira chegou para dar uma sacudida na nossa ideia de Nunca Jamais! Nesta recriação, o autor faz uma viagem divertida - e debochada, claro! - pelo mundo do famoso menino que recusa a maturidade e se esconde das obrigações, o que nos faz pensar: será que ele teria passado pelo mesmo dilema de todos nós quando a conta da luz chega?
Bandeira não só revive a famosa história de James Barrie, mas também traz suas próprias pitadas de humor e ironia. Quando Peter e seus amigos, Wendy, João e Miguel, encontram o Capitão Gancho, a rivalidade entre eles se transforma em uma comédia de erros digna de um show de stand-up. O pirata quase parece um palhaço, mas não um palhaço de circo, e sim daquele que faz você rir e, ao mesmo tempo, levanta uma questão filosófica: "por que diabos eu não consigo capturar um menino que nem se preocupa em crescer?"
Logo de cara, o leitor percebe que esta versão não é apenas uma cópia da original. Bandeira faz questão de realçar que em Nunca Jamais também cansa, e que viver eternamente como uma criança tem suas consequências. Tem um momento em que Peter se pergunta se ele realmente quis permanecer assim por toda a vida ou se, no fundo, ele só estava fugindo das responsabilidades, como qualquer um de nós quando passamos horas procrastinando o envio de um e-mail.
Ao longo das páginas, descobrimos que a amistosa competição entre Peter e Gancho vai além de apenas capturar uma criança. Queremos saber agora: quem vai levar o prêmio de "melhor personagem", já que todos têm seus momentos de estrelato? A interação entre os personagens é cheia de tiradas inteligentes, nos fazendo rir e refletir sobre a infância e o desejo de crescer.
Agora, um pequeno spoiler: em algumas partes, a vida no país encantado se transforma em um verdadeiro pesadelo, revelando os dilemas e inseguranças que todos nós já passamos. Afinal, a mágica tem um preço - e quem não entende isso acaba com uma mão cheia de cinzas em vez de um punhado de pó de fada.
Pedro Bandeira aqui nos encanta e decepciona, tudo ao mesmo tempo! É como descobrir que um mágico pode ser só um ilusionista, e que, no fundo, todos nós temos medo de crescer e de nos separar da pureza da infância, mas nada que um pouco de coragem, uma pitada de magia e um bom humor não possam ajudar a enfrentar!
Então, ao ler "Peter Pan: Recriação da obra de James Barrie", prepare-se para tirar boas risadas da culpa de não querer crescer, enquanto aprecia as peripécias e confusões no mundo de Peter. E, quem sabe, você não começa a pensar que talvez um pouquinho de responsabilidade não seja tão ruim assim? Ou será que é? No final das contas, Não Crescer tem lá suas vantagens.