
Canoas e marolas (preguiça) é um mergulho profundo na alma humana, uma ode à letargia que, em tempos de pressa e produtividade exacerbada, ganha contornos de resistência e reflexão. Escrito por João Gilberto Noll, esse livro provoca instintos adormecidos em cada um de nós, convocando a imaginação a flutuar nas águas de uma existência à margem da frenética rotina que a sociedade impõe. Aqui, a preguiça se transforma numa arte, numa forma de se relacionar com o mundo, onde a calma e a introspecção são guardiãs de um entendimento mais profundo da vida.
Neste enredo multifacetado, Noll desdobra situações que nos transportam para um universo em que o tempo parece estar em um eterno suspenso. É uma viagem por paisagens não apenas geográficas, mas emocionais e psicológicas, onde cada canoa que atravessa as marolas é uma metáfora da nossa jornada interna. O autor convida você a se despir das urgências, a se embrenhar na bruma das suas páginas e sentir o sabor agridoce da calma.
Os leitores, muitas vezes, reagem com desconcerto. Alguns encontram beleza na prosa lírica e na melancolia subjacente, enquanto outros se deparam com um ritmo que não se adapta ao frenesi habitual da literatura contemporânea. É um duelo entre o que se espera e o que se apresenta, e é exatamente nessa fricção que reside o poder da obra. Em meio aos comentários variados, muitos elogiam a profundidade da narrativa, enquanto outros criticam a vagareza que pode frustrar aqueles que não habitam a mesma cadência contemplativa. Essa dualidade de recepção é um testemunho da ousadia de Noll em desafiar não apenas os padrões da escrita, mas também as expectativas do leitor.
O contexto em que Canoas e marolas (preguiça) surge é também instrutivo. Nos anos 90, o Brasil passava por transformaçõe sociais e políticas, e Noll, com sua visão crítica, captura a essência de um país que busca sua identidade em meio a um mar de incertezas. Seu olhar atento às sutilezas do cotidiano faz ecoar vozes que muitas vezes são ignoradas, permitindo que a preguiça se torne um ato de resistência contra a banalidade da vida moderna.
Feito de pequenas histórias que se entrelaçam, o livro é um convite. Um convite para percebermos o valor do momento presente, do ar que respiramos, da beleza escondida nas marolas que surfa no nosso dia-a-dia. Através de seus personagens, vivemos a dor e a delícia de simplesmente ser, sem pretensões, sem pressa. Você vai sentir cada página CT- emocionante, reveladora, uma jornada de autoconhecimento que transcende as limitações impostas.
Ao se deparar com Canoas e marolas (preguiça), esteja preparado para um embate com suas próprias certezas. Será que você conseguirá desacelerar, mergulhar na trama e emergir com uma nova perspectiva sobre suas próprias canoas e marolas? Essa obra não é apenas uma leitura; é uma reflexão profunda sobre o que significa viver em um mundo que constantemente clama por movimento e ação. Se a preguiça é, de fato, uma arte, João Gilberto Noll é o artista que desvela suas mais sutis cores.
📖 Canoas e marolas (preguiça)
✍ by João Gilberto Noll
🧾 108 páginas
1999
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