
Inúmeras vezes, a tragédia coloca o ser humano à prova, desnudando suas emoções mais profundas e revelando o que realmente somos. Em Fedra, Millôr Fernandes transforma um clássico da literatura em um espetáculo cheio de ironia e crítica social, onde a paixão e a desgraça dançam um tango insano e perturbador. 🌪
Neste remake da peça de Eurípides, a confusão entre amor e desejo se entrelaça de forma destructiva, e a figura de Fedra ressurge não apenas como vítima de suas paixões, mas como uma mulher que desafia os padrões de uma sociedade opressora e cheia de tabus. Millôr, com sua habilidade mordaz, faz de sua protagonista um símbolo da luta contra as correntes que envolvem a mulher em um papel submisso, deixando claro que seu grito por liberdade permanece ecoando ao longo das gerações.
Ao lermos Fedra, somos transportados para um mundo repleto de dilemas morais e paixões avassaladoras. É impossível não sentir a culpa e a solidão que cercam a protagonista, que se vê presa em um casamento imposto e carente de amor verdadeiro. Por outro lado, o desejo por Hipólito, seu enteado, transforma essa obra em um labirinto de emoções intensas, carregadas de um erotismo perturbador e do medo da condenação. E, assim, surge a pergunta que martela a mente: até onde somos capazes de ir em nome do amor? 💔
Os leitores, por sua vez, se dividem diante de sua prosa audaciosa e crítica. Alguns exaltam a capacidade de Fernandes em fazer uma releitura ousada e questionadora, enquanto outros criticam o tom irreverente, considerando-o um desvio do respeito que a tragédia original merece. Como qualquer grande obra, Fedra provoca discussões calorosas e reflexões profundas sobre a condição humana e os conflitos existenciais que nos cercam.
Diante de uma realidade que continua a reproduzir os machismos e as injustiças sociais, Fedra aparece como um farol crítico, desafiando os valores tradicionais e instigando o leitor a confrontar suas próprias crenças. Em um cenário repleto de cinismo e cinzentos, Millôr consegue iluminar a escuridão com uma explosão de cores que só a arte é capaz de oferecer.
Ao final, somos confrontados com a inevitabilidade da tragédia. No caso de Fedra, o amor se transforma em loucura, e o desejo em desespero. O desfecho nos deixa atordoados, fazendo-nos questionar se essas paixões são realmente a essência de nossa existência ou se são meras ilusões que nos arrastam para a destruição. 🌌
Repleta de perguntas e reflexões, Fedra é um convite à introspecção. Ao virar a última página, você vai se perguntar: o que é amar de verdade? O que estamos dispostos a sacrificar por nossas paixões? Livre-se das amarras da mediocridade e se permita desvendar essa obra que é, acima de tudo, um grito por liberdade, um testemunho da luta pelo ser humano que existe em cada um de nós.
📖 Fedra
✍ by Millôr Fernandes
🧾 112 páginas
2001
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