HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA ESCRITA EM SERGIPE
A OBRA DE JOSÉ ORTIZ (1862) NO CONTEXTO OITOCENTISTA DA ESCOLARIZAÇÃO E DA NORMATIZAÇÃO DO PORTUGUÊS
Álvaro César Pereira de Souza
RESENHA

História Social da Cultura Escrita em Sergipe: A Obra de José Ortiz (1862) no Contexto Oitocentista da Escolarização e da Normatização do Português é uma empreitada audaciosa de Álvaro César Pereira de Souza. Em seus 440 páginas, este livro mergulha no cerne de uma época que marca a transição do nosso Brasil, quando a educação e a linguagem se tornaram ferramentas de poder e controle sociais. Este não é apenas um tratamento sobre a obra do educador José Ortiz; é um olhar profundo e inquietante sobre como a cultura escrita moldou a identidade sergipana e, por extensão, a brasileira.
No calor do século XIX, o Brasil caminhava a passos largos para a modernidade, e a escolarização era o verdadeiro pilar dessa transformação. A pesquisa de Souza revela como a norma culta da língua portuguesa, tantas vezes vista como um padrão intocável, foi na verdade uma construção social-um campo de batalha onde o conhecimento e o poder se entrelaçam. José Ortiz, figura central nesta narrativa, se tornaria um divisor de águas, apresentando uma obra inovadora que desafiava os limites da educação tradicional e estabelecia novas possibilidades de diálogos na língua.
O autor não se limita a explorar a bibliografia de Ortiz. Ele se aprofunda no contexto histórico, traçando uma linha entre as transformações sociais e a evolução da cultura escrita em Sergipe. A obra é um convite irrecusável para refletir sobre como, em um período em que a busca pelo saber se confundia com a busca por liberdade, a literatura e a educação tornavam-se luzes a guiar os passos nas trevas da ignorância.
Os leitores, ao longo de suas análises, destacam a densidade das reflexões propostas, apontando a clareza com que Álvaro Pereira de Souza articula ideias complexas, levando a uma verdadeira revolução nos pensamentos sobre a educação à época. Ao mesmo tempo, algumas críticas levantam um ponto importante: a necessidade de mais vozes na narrativa, mais representatividade da pluralidade cultural que a época apresentava. Essa tensão dialética entre a análise descritiva e a crítica construtiva traz uma riqueza que não pode ser ignorada.
Ao se permitir viajar por este livro, você estará atravessando não apenas a história de Sergipe, mas uma jornada emocional e intelectual. Cada página é um lembrete de que a luta pela educação e pela linguagem não é um capítulo encerrado, mas uma batalha que ressoa através do tempo, impactando nosso presente. Esta obra, portanto, promete não apenas informar, mas transformar a maneira como você vê a linguagem e a sua influência na construção da sociedade.
Ao final, a História Social da Cultura Escrita em Sergipe reverbera como um alerta poderoso, um convite para não apenas conhecer, mas sentir a urgência de seguir cultivando a educação como um baluarte de liberdade e resistência. Não permita que essa leitura passe despercebida; é o tipo de conhecimento que pode acender faíscas de mudança, incitando a reflexão e inspirando o ativismo intelectual. Se a história é feita por aqueles que se disponibilizam a narrá-la, que sejamos todos autores e leitores conscientes de nosso papel.
📖 HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA ESCRITA EM SERGIPE: A OBRA DE JOSÉ ORTIZ (1862) NO CONTEXTO OITOCENTISTA DA ESCOLARIZAÇÃO E DA NORMATIZAÇÃO DO PORTUGUÊS
✍ by Álvaro César Pereira de Souza
🧾 440 páginas
2022
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