
A leitura de Infância institucionalizada: identidade e acolhimento institucional, de Vinícius Furlan, é, sem dúvida, uma jornada intensa pelos labirintos da infância em situações de acolhimento institucional. Estão em jogo não apenas estatísticas e dados frios, mas vidas que carregam histórias profundas e, muitas vezes, traumatizantes. Furlan não se limita a analisar as condições do acolhimento; ele se infiltra na complexidade da identidade das crianças que, desprovidas do calor de um lar, veem sua essência moldada por estruturas que, em teoria, deveriam protegê-las.
A dor e a esperança coexistem nessa obra provocativa, que desafia nossas concepções sobre o que significa ser criança em uma sociedade que frequentemente desumaniza aqueles que mais precisam. Com um olhar crítico e acolhedor, Furlan discorre sobre o impacto de viver em instituições, as barreiras emocionais enfrentadas e a busca incansável pela identidade. Cada capítulo se torna um testemunho da luta dessas crianças por pertencimento, amor e um futuro que não está fadado à marginalização.
Os leitores reagem a essa obra com um misto de admiration e controvérsia. Muitos se sentem confrontados, absorvendo as verdades duras que Furlan apresenta sem filtro. Comentários sobre a forma como o autor expõe a realidade, fazendo provocações que fazem ecoar nossa própria moralidade, são comuns. Há quem critique a abordagem, considerando-a pesada e, até mesmo, desalentadora. No entanto, é essa crueza que dá vida ao texto. O autor usa cada palavra para cutucar nossas consciências e obrigar-nos a encarar a realidade que muitos preferem ignorar.
É impossível não se sentir tocado pelo apelo de Furlan à solidariedade. Ele expõe as fragilidades do sistema de acolhimento, mas também abre espaço para o debate sobre o que podemos fazer enquanto sociedade. Ele não fecha as portas na cara do leitor; pelo contrário, convida-o a buscar formas de intervenção e mudança. Não é apenas um livro; é um chamado à ação, uma ignição de empatia para mudar o nosso olhar sobre as instituições e como tratamos as vozes que emergem delas.
Ao transformar dados acadêmicos em narrativas que falam ao coração, Furlan cria um elo que liga leitor e personagem, um elo feito de dor, mas também de esperança. As páginas desse livro são um convite à reflexão sobre o que significa 'acolher', e não apenas aos olhos da teoria, mas diretamente às vidas que permeiam os lares que deveriam ser acolhedores. O leitor é instigado a perceber que o acolhimento vai além de abrigo; é um ato de amor e responsabilidade.
É um trabalho que nos luta a olhar para a infância institucionalizada com um olhar de compaixão, resgatando vozes que foram silenciadas. As crianças, que representam o futuro, estão clamando por uma identidade que merecem e, com isso, estão exigindo que nós, adultos, façamos o nosso papel. A pergunta que permanece é: estamos prontos para ouvir e agir? Um grito ressoa em suas páginas, e você, leitor, definitivamente não pode se dar ao luxo de ignorá-lo.
📖 Infância institucionalizada: identidade e acolhimento institucional
✍ by Vinícius Furlan
🧾 155 páginas
2020
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