
O coronel e o lobisomem não se limita a ser apenas um livro; ele é uma chave que abre um universo paralelo onde a realidade e o fantástico dançam uma valsa enigmática e provocativa. A obra-prima de José Cândido de Carvalho nos apresenta Ponciano de Azeredo Furtado, um coronel que, mais do que um militar, é um símbolo da luta entre o racional e o sobrenatural - um duelo que ressoa nas veias do Brasil rural e nas suas múltiplas lendas.
Enquanto a narrativa se desenrola, somos arrastados por uma torrente de elementos surreais, onde a figura do lobisomem emerge das sombras, desafiando as crenças e os medos de uma comunidade que tenta se agarrar à lógica e à ordem. O coronel, em sua busca por dignidade e respeito, vai além de seu papel oficial; ele se transforma em um anti-herói que nos faz questionar: até onde podemos ir para manter a nossa honra em um mundo que trata a superstição como uma verdade palpável?
A prosa de Carvalho, rica em lirismo e aspereza, faz o leitor sentir o peso da terra batida sob os pés, o cheiro da mata e a tensão no ar entre os habitantes daquela Praça de São Salvador. 🔥 Cada página é um convite para degustar as emoções à flor da pele, enquanto se reflete sobre temas universais como o poder, a solidão e a busca incessante por significado. Pode-se visualizar os rostos dos personagens, ouvir as conversas sussurradas e sentir a angústia do coronel Ponciano diante da incompreensão que o rodeia.
Não faltam, é claro, ecoas das opiniões leitoras: há quem se encante com a maestria de Carvalho em costurar mitos e realidades, enquanto outros o acusam de se perder em um labirinto de detalhes excessivos. As críticas revelam divisões claras entre aqueles que veneram a profundidade das referências e os que anseiam por uma narrativa mais fluida e direta. Essa polarização eleva a obra a um status quase cult, um campo de batalha onde opiniões fervilham e acolhem debates acalorados.
E ao falarmos de sua relevância, impossível não notar a ligação com o contexto histórico do Brasil. Nos anos em que O coronel e o lobisomem foi escrito, o povo enfrentava não apenas as sombras de um regime político opressor, mas também as fantasias que criamos para explicar as crueldades da vida. Carvalho, ao trazer à tona um lobisomem que simboliza medos e injustiças, nos faz reviver os ecoantes anseios de um povo que luta por sua voz em um sistema que mais parece devorá-lo.
Assim, O coronel e o lobisomem, além de nos inundar com sua riqueza de simbolismos e uma escrita que arrebatadora, é um chamado à reflexão. Através de Ponciano e de suas desventuras, somos convidados a enxergar a nossa própria luta pela dignidade e pela verdade em meio ao caos. Cuidado! Ao abrir suas páginas, você terá a impressão de que o lobisomem não está apenas na história, mas à espreita, pronto para ser o portador de verdades que podem chocar e transformar. Não deixe que essa experiência te escape! 🐺✨️
📖 O coronel e o lobisomem: Deixados do Oficial Superior da Guarda Nacional, Ponciano de Azeredo Furtado, natural da Praça de São Salvador de Campos dos Goytacazes
✍ by José Cândido de Carvalho
🧾 349 páginas
2014
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