O mínimo sobre vocação
Francisco Escorsim
RESENHA

Você já parou para pensar que a sua "vocação" pode ser apenas um disfarce elegante para a sua maior fuga?
Imagine acordar todos os dias com a sensação de que está perdendo a própria vida. Não por falta de oportunidades, dinheiro ou talento - mas porque, no fundo, você nem sabe o que diabos está fazendo aqui. Aí vem aquele amigo inspirado: "Faz o que você ama, cara! Encontre sua vocação!" E você, como um zumbi bem-educado, repete o mantra enquanto afunda cada vez mais no pântano da insatisfação.
Pois é. O mínimo sobre vocação, do Francisco Escorsim, não é um livro. É um soco na sua autocomplacência. Um manual de como parar de se enganar com essa história de "seja feliz no seu trabalho" e começar a ouvir o que, de fato, grita dentro de você - mesmo que seja um grito surdo, abafado pelos likes, pelas contas a pagar e pela voz da sua mãe ecoando: "Mas você tem um emprego tão bom, filho."
A armadilha que você chama de "vocação" (e por que está preso nela)
Escorsim começa desmontando o maior mito da era do coaching barato: a ideia de que vocação é sinônimo de "fazer o que gosta". Que nada. Se fosse assim, metade dos advogados do Brasil já teria virado influencer de culinária, e os médicos estariam todos pintando quadros em Bali. A verdade? Vocação não é sobre prazer. É sobre chamado. E chamado, meu caro, dói.
O autor joga na sua cara uma pergunta que poucos têm coragem de fazer: E se o que você acha que é sua vocação for apenas um refúgio para não encarar o vazio? Aquela paixão por fotografar gatinhos no Instagram, aquele sonho de abrir uma padaria vegana. Será que é você falando, ou só o medo de silenciar e ouvir o que realmente importa?
O exercício que vai te deixar nu (e por que você vai chorar)
Aí vem a parte que destrói. Escorsim não fica na teoria bonitinhas. Ele te arrasta para um processo de escuta brutal - não daquele mindfulness de aplicativo, mas de uma atenção tão aguda que você vai se pegar analisando até a forma como segura o garfo. Porque vocação, segundo ele, não se revela em retiros espirituais ou testes vocacionais. Ela se esconde nas microdecisões do cotidiano.
Aquela raiva que sobe quando seu chefe pede um relatório às 18h? Não é estresse. É um recado.
Aquele momento em que você para para ajudar um estranho na rua e sente o peito arder? Não é bondade. É um farol.
Aquele projeto que você adia há anos porque "não é a hora"? Mentira. Você tem medo de descobrir que é exatamente a hora.
O livro te força a fazer exercícios de autoconsciência tão precisos que você vai se sentir como um detetive investigando. você mesmo. E, spoiler: as pistas estão todas aí. Só que você está surdo de tanto barulho.
"Mas e o dinheiro?!" - A pergunta que todo mundo faz (e a resposta que ninguém quer ouvir)
Ah, sim. O elefante na sala. "Tudo isso é muito bonito, mas como eu pago o aluguel?" Escorsim não é ingênuo. Ele sabe que vocação não é luxo de rico - ou pelo menos, não deveria ser. Mas ele joga uma bomba: O que adianta ter segurança financeira se você está morrendo por dentro?
Aí vem a sacada genial: vocação não é sobre abandonar tudo e virar monge no Tibete. É sobre reconhecer que você já está sendo chamado o tempo todo - e que ignorar isso tem um preço. Um preço que você paga em ansiedade, em noites mal dormidas, naquela sensação de que algo está errado, mesmo quando tudo parece certo.
O que os leitores estão falando (e por que alguns odeiam esse livro)
Como todo livro que cuta fundo, O mínimo sobre vocação divide opiniões. Tem gente que chora nos comentários:
"Li esse livro e tive que parar no meio porque não aguentava mais me ver. Voltei três dias depois e terminei. Agora estou repensando TUDO." - Márcia, 34 anos
"Parece que o Escorsim entrou na minha cabeça e jogou uma bomba. Não é autoajuda. É um espelho que você não quer olhar." - Rafael, 41 anos
Mas também tem os que torcem o nariz (e isso diz muito sobre eles):
"Mais um livro para fazer a gente se sentir culpada por não ser 'realizada'. Como se a vida já não fosse difícil o suficiente." - Ana, 29 anos (Notou como o incômodo dela é justamente o ponto? Pois é.)
"Fala muito de 'chamado', mas não dá receita. Frustrante." - Carlos, 50 anos (Carlos, meu amigo, se você queria receita, deveria ter comprado um livro de culinária.)
Por que você NÃO deveria ler esse livro (sério, pense duas vezes)
Se você está feliz com sua vida exatamente como está, feche esta aba agora. O mínimo sobre vocação é para quem:
✔️ Sente que está vivendo no piloto automático (e odeia isso).
✔️ Já tentou de tudo - terapia, coaching, mudanças de carreira - e nada preenche.
✔️ Tem medo de silenciar, porque sabe que, no silêncio, algo vai falar.
✔️ Está cansado de mentir para si mesmo (e para os outros).
Se você não quer mudar, não leia. Porque esse livro não te deixa igual.
A última pergunta (e a que você não vai querer responder)
Escorsim fecha com chave de ouro: "E se a sua vocação não for um destino, mas um modo de estar no mundo?" Ou seja: não é sobre achar a profissão perfeita, o hobby salvador ou a missão grandiosa. É sobre parar de fugir e começar a viver de verdade - com todas as dúvidas, medos e contradições que isso implica.
Então me diz: você topa encarar?
(Se a resposta for não, tudo bem. Só não venha reclamar da sua vida daqui a cinco anos.) 😉
📖 O mínimo sobre vocação
✍ by Francisco Escorsim
🧾 120 páginas
2025
#vocacao #FranciscoEscorsim