
Uma estranha simetria é uma exploração inquietante da vida, da morte e das relações que nos ligam através de forças invisíveis. Em seu mundo onírico, Audrey Niffenegger, célebre autora de A Mulher do Viajante no Tempo, nos apresenta uma narrativa que entrelaça elementos de fantasia e tragédia, um verdadeiro balé de emoções que nos faz refletir sobre o que realmente significa conectar-se a outro ser humano, mesmo que este já não esteja mais entre nós.
No coração da história, encontramos o cemitério de Highgate, um local que se tornou um personagem por si só. É o cenário onde as almas vagam e onde os fantasmas se entrelaçam com os vivos, desafiando as fronteiras entre o mundo material e o espiritual. Imagine-se caminhando por suas alamedas sombrias, sentindo o frio da brisa, ouvindo sussurros de amores eternos e segredos enterrados. É nesse espaço mágico que os gêmeos, Julia e Valentina, se deparam com as consequências de um legado familiar surpreendente e perturbador.
O cerne da obra é um verdadeiro jogo de espelhos e simetrias. As duas irmãs representam não apenas a dualidade da vida, mas também os desejos opostos que habitam cada um de nós. Enquanto Julia busca a conexão real e a compreensão, Valentina se vê envolta em um turbilhão de incertezas e anseios por liberdade. A interação delas com figuras fantasmagóricas provoca reflexões sobre a história não contada, sobre o que deixamos para trás e as escolhas que moldam nossa existência. E a cada página virada, o leitor é puxado para um abismo emocional, intercalado por momentos de ternura e de dor insondável.
Uma estranha simetria não é uma leitura leve; ela exige que você mergulhe em suas profundezas. A autora, com um domínio impressionante sobre as emoções humanas, provoca reações intensas. Há quem acredite que, em certas partes, a narrativa oscila entre a genialidade e a confusão, mas são essas ambiguidades que a tornam tão cativante. Os críticos se dividem: alguns aplaudem a ousadia de Niffenegger em questionar a lógica das relações humanas, enquanto outros acusam a obra de se perder em sua própria complexidade. O que é certo é que a leitura não deixa ninguém indiferente.
E quando você finalmente chega ao clímax, é como se o chão se abrisse sob seus pés. Revelações desvendadas são acompanhadas por uma sensação arrepiante de conclusão e de que, em algum lugar, tudo pode estar interligado de maneiras que não conseguimos compreender. A história ressoa dentro de você, deixando ecos de inquietação e reflexão. É um convite ao questionamento: o que você faria para preservar uma conexão, mesmo que além da morte?
Neste mundo de simetrias estranhas, Niffenegger nos apresenta uma nova forma de enxergar a relação entre vida, morte e amor. Desse modo, Uma estranha simetria se transforma em uma leitura essencial não apenas para aqueles que apreciam a fantasia, mas para qualquer um que já se deparou com a fragilidade das relações humanas. Portanto, abra suas portas e permita que essa obra entre em sua vida, pois, depois dela, você não será o mesmo. 🌌✨️
📖 Uma estranha simetria
✍ by Audrey Niffenegger
🧾 576 páginas
2012
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